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AMÉRICA LATINA

Inflação, o retorno de uma antiga inimiga

Enquanto o resto do mundo se preocupa com a deflação, na América Latina os preços estão em escalada

Inflação, o retorno de uma antiga inimiga
A alta da inflação é um dilema para os bancos centrais latino-americanos (Foto: EBC)

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Os mais velhos da América Latina recordam o período de hiperinflação que afetou vários países do continente nas décadas de 1980 e 1990. A hiperinflação destrói negócios, mina o sistema político e afeta, principalmente, os mais pobres.

Os governos da região deveriam ter aprendido a dolorosa lição, mas os recentes índices de preço ao consumidor geram uma estranha sensação de deja vu. Enquanto o resto do mundo se preocupa com a deflação, na América Latina os preços estão em escalada.

No ano passado, a Venezuela registrou uma inflação de 180%, e o FMI prevê uma taxa de 720% para este ano. Na Argentina, o índice subiu de 27% para 33%. No Brasil, a inflação chegou aos dois dígitos, ficando em 10,5%. No Uruguai e na Colômbia as taxas estão em 9,5% e 7,6%, respectivamente.

As razões para o aumento variam. Na Argentina e na Venezuela, a alta é fruto da ampla emissão de papel moeda para pagar subsídios do governo. Ironicamente, o corte de subsídios aplicados pelo novo governo de Mauricio Macri também fizeram a inflação subir.

No Brasil, o governo cortou os subsídios da energia elétrica e do petróleo. Mas, segundo o economista Edmar Bacha, o que mais fez a inflação subir no país foi a indexação de preços, sistema de reajuste de preços de bens e serviços com base na inflação passada. O salário mínimo, por exemplo, subiu 11,6% em janeiro deste ano, o que levou ao aumento de outros salários, preços de serviços e pensões.

Além disso, há a desvalorização das moedas locais, que tornou mais caro os produtos importados. Isso afeta também Brasil e Argentina. Embora seja alta, a desvalorização da moeda é uma boa estratégia. Ela permite aos países do continente ajustar a economia em relação à forte queda no preço das commodities, pois moeda mais barata favorece a exportação tornando o produto mais competitivo no exterior.

Mas a alta da inflação é um dilema para os bancos centrais latino-americanos, que têm uma meta de inflação a cumprir. Os bancos centrais do Brasil, Chile, Colômbia e Peru passaram a aumentar a taxa de juros, instrumento usado para aumentar o custo de empréstimos, freando, assim, a demanda excessiva de consumo que eleva a inflação.

A boa notícia é que o impacto da desvalorização monetária nos preços domésticos é bem menor hoje do que antes de 1999, quando os governos latino-americanos adotaram câmbio flutuante e metas de inflação. Hoje, se a moeda cai 10% gera um aumento de preço de apenas 1%.

Fontes:
The Economist-The return of an old enemy

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