Início » Economia » Integração da América Latina será bem diferente da europeia
BLOCOS COMERCIAIS

Integração da América Latina será bem diferente da europeia

Mercosul e Aliança do Pacífico estão inclinados a criar uma parceria, mas isso não significa que haverá fusão entre os blocos ou um órgão supranacional como a União Europeia

Integração da América Latina será bem diferente da europeia
América Latina começa a dar pequenos sinais de união (Foto: Flickr)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Há décadas parlamentares da América Latina exaltam a União Europeia como exemplo de integração a ser copiado. Porém, os países do Hemisfério Sul são mais hábeis em falar sobre integração do que colocar a ideia em prática.

Agora, no entanto, em pleno momento que a UE passa por um risco de fragmentação, a América Latina começa a dar pequenos sinais de união. Para que esse progresso seja mantido, o continente terá de adotar um modelo um pouco diferente do da UE.

Uma integração mais estreita, sem dúvidas, traria benefícios econômicos para a região. Segundo dados do FMI, os países da região fazem menos comércio uns com os outros do que o esperado. Para piorar, a política dividiu o continente em dois blocos rivais.

O Mercosul, cujos pilares são o Brasil e a Argentina, se transformou nos últimos anos em um clube protecionista de governos majoritariamente de esquerda. Em resposta, em 2011, Chile, Colômbia, México e Peru formaram a Aliança do Pacífico, um bloco formado por economias de livre mercado.

No entanto, mudanças estão a caminho, à medida que governos de centro-direita avançam na região, com Mauricio Macri, na Argentina, e o impeachment de Dilma Rousseff. Ambos os países tentam estimular o comércio, especialmente com acordos com a UE, embora a saída do Reino Unido do bloco torne difícil para ambos superar o protecionismo da França e de outros países do bloco europeu.

No final do mês passado, Macri viajou para Puerto Varas, no Chile, para participar do encontro anual de presidentes dos países membros da Aliança do Pacífico. No encontro, ele falou sobre a possibilidade de fusão entre o Mercosul e a aliança. O Chile está especialmente inclinado em apoiar essa fusão, mas o ministro das Relações Exteriores do país, Heraldo Muñoz, ressalta que os blocos são dois projetos diferentes.

Assim como a UE, o Mercosul é uma união aduaneira e tem um parlamento próprio, embora bastante inativo. No entanto, as regras do bloco são mais vagas que as da UE; as normas que regem a tarifa externa comum do bloco são cheias de brechas; foram admitidos novos membros que não respeitam as regras do bloco, como a Venezuela. O cerne do Mercosul é a parceria entre Brasil e Argentina, que têm uma significativa troca comercial. E isso não vai mudar.

Já a Aliança do Pacífico tem como objetivo criar entre seus membros uma área de profunda integração, que envolva o livre trânsito de mercadorias, serviços, capital e pessoas. Os progressos do bloco têm sido lentos, porém concretos. Em maio deste ano, os membros conseguiram abolir 92% das tarifas comerciais de seus bens e uniformizou algumas regras para o comércio no bloco.

O Mercosul parece inclinado a aderir à política liberal da Aliança do Pacífico, mas isso não significa que haverá uma fusão. Diferentemente da Europa, os governos latino-americanos não querem abrir mão de sua soberania para um órgão supranacional. Nem a história nem a geografia da região oferecem estímulos para isso. Se a integração da América Latina, de fato, ocorrer, será bem diferente da implementada pela União Europeia.

Fontes:
The Economist-No Brussels here

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *