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Apple na China

iPhones fazem os olhos chineses brilhar

Vendas de smartphones disparam na China e pela primeira vez supera as vendas de telefones normais

iPhones fazem os olhos chineses brilhar
Sucesso entre os chineses é tão grande que ITunes já aceitam pagamentos em yuan (Reprodução/Reuters)

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Os últimos resultados da Apple, anunciados em 24 de julho, foram excelentes sob qualquer ponto de vista: a receita global para o trimestre mais recente foi de US$ 35 bilhões, com uma margem bruta de quase 43%. Inacreditavelmente, tal resultado foi pior do que os investidores esperavam, de modo que as ações da empresa caíram 4,3%. Analistas responsabilizaram a fraca demanda europeia, bem como o adiamento de compras devido a boatos do lançamento de uma nova versão do iPhone.

As vendas na China caíram para US$ 5,7 bilhões, uma queda de 28% em relação ao espetacular primeiro trimestre (quando a Apple lançou o muito aguardado iPhone 4S no país). Contudo, isso já era esperado. Um dado mais revelador é o aumento de 48% da receita a cada ano.
A venda de smartphones (de todas as marcas) na China disparou: estas aumentaram em 288% em abril em relação ao ano anterior e pela primeira vez superaram as vendas de telefones normais. O Sanford C. Bernstein, um banco de investimentos, estima que 270 milhões de pessoas na China já podem bancar os produtos da Apple, e que a cada ano 57 milhões de pessoas a mais serão capazes de fazê-lo. Muitos chineses estão desesperados para adquirir tais traquitanas tecnológicas. Neste ano, um garoto de Anhui, uma das províncias mais pobres da China, supostamente teria vendido um de seus rins para comprar um iPhone e um iPad.

Segredo do sucesso

O segredo da enorme lucratividade da Apple em outros países não se deve somente à elegância de seus aparelhos, mas também aos aplicativos, músicas e filmes que os consumidores baixam. Seus telefones e tablets atraem os consumidores para o lucrativo ecossistema do iTunes, por exemplo. À primeira vista, a China se trata de um mercado promissor: no ano passado as vendas no iTunes subiram após a empresa começar a aceitar pagamentos em yuan.

Contudo, os chineses não irão se desfazer desses yuans com facilidade. Eles esperam que os aplicativos sejam gratuitos. A App Annie, uma consultoria de tecnologia, estima que os pagamentos efetuados por aplicativo de jogos da Apple sejam de, em média, US$ 1,90 no Japão e US$ 0,67 nos EUA, mas de apenas US$ 0,07 na China. Isso faz com que o modelo de negócios da Apple não funcione tão bem no país.

Alguns afirmam que a Apple deveria copiar uma ideia do Henry Ford. O grande empresário automobilista norte-americano pagava a seus funcionários o bastante para que eles pudessem arcar com o custo de um Ford Modelo T (o popular “Ford de bigode” no Brasil). Será que os operários que trabalham nas linhas de montagem de iPads algum dia poderão comprar os aparelhos que ajudam a produzir? Com os enorme aumentos de salários na China, pode ser que isso não se trate de um delírio. Dado que os salários são responsáveis por apenas 2% do preço de venda dos produtos, aumentar os salários não prejudicaria de forma alguma as margens de lucro da Apple. E remover o estigma de “subemprego” poderia ajudar a empresa: as vendas da biografia de Steve Jobs têm sido altíssimas. É possível até mesmo que a Apple tenha dado um empurrãozinho no governo Chinês em direção a uma maior proteção da propriedade intelectual – ainda que versões piratas da biografia de Steve Jobs estivessem disponíveis dois dias depois do lançamento da original por apenas uma fração do preço.

 

Fontes:
The Economist-iPhones make Chinese eyes light up

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