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Itália não deve sair da zona do euro

Eleição italiana deve resultar em um Parlamento dividido, instabilidade e turbulência econômica, mas é pouco provável que o novo governo decida sair da zona do euro

Itália não deve sair da zona do euro
A decisão de sair da zona do euro precisa de um amplo apoio popular (Foto: Pixabay)

O homem responsável pelo clima de apreensão em torno da próxima eleição na Itália é um senhor simpático com um rosto redondo, um nariz largo e cabelos grisalhos penteados no estilo dos antigos romanos. Há cinco anos, Claudio Borghi, ex-diretor do Deutsche Bank na Itália, convenceu Matteo Salvini, o líder do partido de centro-direita Liga Norte, que a Itália deveria sair da União Europeia (UE).

“Salvini me telefonou de madrugada”, disse Borghi. “Mas não me incomodou porque eu não durmo.” Depois de dois dias de conversas, Salvini, pouco antes de assumir a liderança da Liga, convenceu-se. No ano seguinte, Salvini e seu novo conselheiro econômico iniciaram a campanha “Basta euro”.

A preocupação dos países membros da UE e dos mercados financeiros em relação à eleição de 4 de março concentra-se na possibilidade de a Liga retornar ao governo, e a perspectiva mais remota, porém factível, de Salvini ser nomeado primeiro-ministro. Há pouco tempo, a Liga foi superada nas pesquisas de intenção de votos por seu aliado eleitoral, Força Itália, de Silvio Berlusconi. A aliança, que também inclui um grupo menor de extrema-direita, os Irmãos de Itália, tem chances de conquistar a maioria parlamentar e, como resultado, o partido com a maioria de votos indicaria o primeiro-ministro. Essa indicação, no entanto, depende da aprovação do presidente Sergio Mattarella.

A Liga, que defende o controle mais rigoroso da imigração e tem assento no Parlamento Europeu junto com outros partidos populistas, como a Frente Nacional da França e o Partido da Liberdade austríaco, também pode aliar-se ao partido eurocético Movimento Cinco Estrelas (M5S) do comediante Beppe Grillo, uma parceria que Salvini descartou em público, mas que não é rejeitada por alguns membros importantes da Liga. Esse é o cenário de pesadelo que aterroriza os analistas políticos na Itália.

Borghi é claro em sua rejeição à zona do euro. Mas o compromisso da Liga de sair da UE é menos evidente. Em 11 de janeiro, Salvini disse que a Itália precisaria coordenar sua saída com a de “outros países em dificuldades econômicas”, e que o próximo governo deveria se concentrar na negociação de mudanças na moeda única.

Há dois motivos para uma abordagem cautelosa da Liga Norte, disse Borghi. Primeiro, a derrota de Marine Le Pen na eleição presidencial francesa em 2017 eliminou as esperanças de uma saída conjunta da França e da Itália. Em segundo lugar, a decisão de sair da zona do euro precisa de um amplo apoio popular. A última pesquisa de opinião, em setembro passado, mostrou uma disputa apertada entre as vantagens e desvantagens da permanência na UE.

Há muitas razões para se preocupar com a próxima eleição na Itália. As promessas eleitorais dos partidos, se postas em prática, aumentariam a dívida pública da Itália de mais de 130% do PIB. Mas, por outro lado, é pouco provável que um novo governo concretize as ameaças de saída da União Europeia diante de um cenário de uma grave crise econômica sem perspectivas de recuperação de curto prazo.

 

Fontes:
The Economist-Whoever wins the election, Italy is not about to leave the euro

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