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UCRÂNIA

Kharkiv, a cidade ucraniana separatista

Na cidade ucraniana de Kharkiv o setor de Tecnologia da Informação (TI) é um dos poucos segmentos da economia com sinais de prosperidade

Kharkiv, a cidade ucraniana separatista
Cidade ucraniana (Foto: Wikimedia)

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Mykola Ridniy é um jovem artista que usa a tecnologia do vídeo em artes visuais em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, a apenas 40 km de distância da fronteira russa. Seu último vídeo, com cenas de rua pacíficas e um fundo musical com sons de conflitos violentos, relembra os acontecimentos há dois anos, quando a cidade quase foi conquistada pelos separatistas apoiados pela Rússia, que agora controlam as cidades de Donetsk e Lugansk, na região sudeste do país. Hoje, Kharkiv é um teste decisivo para mostrar se a Ucrânia tem condições de atender às demandas do povo de língua russa e de se transformar em um país funcional.

As opiniões divergem quanto à possibilidade de Kharkiv se converter em outra “república popular” separatista. A maioria dos habitantes pensa que a violência foi imposta por quem pagou os bandidos que atravessaram as fronteiras da Rússia de ônibus, com a intenção de atacar os manifestantes que defendiam a aproximação da Ucrânia com a Europa ocidental.

Kharkiv sempre foi mais próspera do que seus vizinhos. No final da década de 1800, os homens que haviam enriquecido com a exploração de carvão mineral construíram casas luxuosas na cidade. Sob o domínio da antiga União Soviética a cidade se tornou um centro de engenharia avançada. O Instituto de Aviação Kharkiv mostrava fotografias do Khai-1, o primeiro avião de passageiros com trem de pouso retrátil. Hoje, a fábrica de aviões está silenciosa. A produção foi interrompida há muitos anos. A perda do mercado russo foi um golpe quase mortal para as fábricas estatais, que precisavam de modernização.

Agora, os jovens engenheiros da cidade encontram oportunidades de trabalho no setor de Tecnologia da Informação (TI). As empresas de TI contratam desenvolvedores de software e têm diversos clientes europeus e americanos. Para muitos é um mercado promissor.

Ninguém pensa que a “república popular” de Kharkiv possa se materializar em breve. A guerra dos separatistas destruiu as economias de Donetsk e Lugansk. Por sua vez, Kharkiv nunca foi tão idealista como Kiev em relação às promessas ousadas do movimento político de aproximação da Ucrânia com a Europa ocidental.

A situação atual justifica seu ceticismo. Desiludida, com um grande potencial prejudicado por líderes incompetentes e corruptos, em muitos aspectos Kharkiv assemelha-se a uma Ucrânia em miniatura. Em 2014, as multidões alegres derrubaram a gigantesca estátua de Lenin com um guindaste e só deixaram os pés quebrados no pedestal. Os novos revolucionários de Kiev terão de ter uma atitude melhor se quiserem ser poupados desse mesmo tipo de desprezo.

Fontes:
The Economist-The city beta-testing Ukraine’s revolution

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1 Opinião

  1. Pablo Cabral disse:

    Um país forte , tem que ser Unido… pense como seria Kharkiv independente… A guerra, as mortes pela independência, valeria à pena…E Depois, com a independência, sem ajuda, sem reconhecimento internacional.. . Um país destruido, talvez, tendo muitos que começarealmente do zero… valeria à pena … Todas as dificuldades. PENSEM , na Ucrânia unida , forte , de paz… Todos ganham

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