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ARGENTINA

Macri congela preços e tarifas para conter a inflação

Pacote anunciado pelo presidente argentino congela, até outubro, preços de produtos da cesta básica e tarifas de serviços públicos

Macri congela preços e tarifas para conter a inflação
‘São medidas que adotamos para gerar um alívio no curto prazo’, disse Macri (Foto: kremlin.ru)

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O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou na última quarta-feira, 27, um acordo com empresas para o congelamento de preço de 60 produtos da cesta básica, até o dia 22 de outubro.

O congelamento é um esforço do presidente para conter a inflação do país, que nos últimos meses chegou a 54,7%, enquanto o dólar é negociado a 41 pesos argentinos. O controle da inflação faz parte do acordo firmado, em 2018, pelo governo Macri com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter o empréstimo de US$ 56,3 bilhões.

Dentre os 60 produtos que terão o preço congelado estão azeite, arroz, farinha, iogurte e alguns cortes de carne bovina. Eles serão incluídos no programa “Preços Cuidados”. Criado por Cristina Kirchner e mantido por Macri, o programa consiste em congelar preços para segurar
artificialmente a inflação.

Além dos produtos da cesta básica, a tarifa do gás terá um desconto de 22% e serão congeladas as tarifas de energia, transporte público, pedágio e recarga de celulares pré-pagos. Os cerca de 18 milhões de pensionistas e aposentados do país receberão descontos entre 10% e 25% na compra de roupas, alimentos, eletrodomésticos e materiais de construção, além de descontos de 20% a 70% na compra de medicamentos.

O anúncio do pacote foi dado pelo presidente em uma postagem no Twitter, na qual ele aparece em um vídeo encontrando uma família que se queixa da realidade econômica do país. O presidente argentino, então, anuncia à família o pacote de congelamento. “São medidas que adotamos para gerar um alívio no curto prazo”, diz Macri.

O pacote de Macri foi anunciado duas semanas após ser divulgado que a pobreza na Argentina chegou a 32% e que a inflação registrou no mês de março um avanço de 4,7%, o que assustou o mercado financeiro, que esperava que a alta girasse em torno de 4%.

O pacote, no entanto, dividiu opiniões. Alguns receberam o anúncio com desconfiança do retorno de políticas de subsídios da era Kirchner, que foram criticadas justamente por Macri, antes de chegar à Casa Rosada – sede do governo argentino. Além disso, há suspeita de que o pacote seja uma forma de “adoçar” a imagem de Macri, em meio a sua busca pela reeleição. Isso porque o pacote vigora até o dia 22 de outubro, cinco dias antes do pleito.

“O pacote é um ‘band-aid’ que não resolve os problemas, uma ponte para tentar chegar às eleições com tranquilidade. Não há um programa econômico, mas medidas emergenciais que postergam a crise para depois de 10 de dezembro [data em que o presidente eleito no pleito tomará posse]”, disse o ex-presidente do Banco Central argentino Martín Redrado, segundo noticiou o jornal Estado de S.Paulo.

Já o economista-chefe do BTG Pactual na Argentina, Andrés Borenstein, acredita que o pacote pode reativar o consumo em curto prazo e que trata-se de uma ação para “melhorar o humor da sociedade, que não é dos melhores”. Porém, ele admite que o pacote não é suficiente para alterar a previsão do Produto Interno Bruto (PIB), que tem uma retração prevista de 0,5% para este ano. A retração, no entanto, é menor que o encolhimento de 2,5% registrado em 2018.

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