Nos últimos anos especialistas em migração tiveram uma visão mais clara de como 200 milhões de pessoas trabalhando em outros países afetam a vida de seus compatriotas no país natal. O impacto é imenso e benigno.
O Banco Mundial informa que trabalhadores estrangeiros mandaram mais de 328 bilhões de dólares dos países ricos para os pobres no ano passado, mais que o dobro dos 120 bilhões em ajuda oficial dos membros da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
A tecnologia, principalmente dos telefones celulares e do internet banking e a competição entre as agências de remessa de dinheiro tornam o envio de dinheiro entre indivíduos mais fácil, seguro e barato. Parte do dinheiro é gasto em coisas úteis, como educação e saúde. O dinheiro dos migrantes diminui a pobreza em seus países de origem, meninas ficam mais anos na escola, a nutrição melhora e nascem bebês mais saudáveis. Em emergências, como o maremoto do Pacífico, mês passado, parentes morando em outros países podem enviar ajuda material e dinheiro. Exilados do Zimbábue mantiveram vivos seus parentes famintos enviando fubá e óleo de cozinha, além de dinheiro, levados muitas vezes pelos motoristas de ônibus.
O último Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU, publicado dia 05, mostra que os migrantes enviam para casa não só dinheiro, mas valores. O chefe do Instituto de Políticas para Migração de Washington, Demetrios Papademetriou, argumenta que a “transferência de conhecimento e as remessas sociais e políticas” são muito importantes. Observadores da migração estão voltando suas atenções do fluxo de dinheiro para o fluxo de ideias. É difícil provar, mas há casos em que o retorno em larga escala tenha coincidido com as mudanças na economia. Muitos gregos, turcos e portugueses que trabalharam no norte da Europa nos anos 60 e 70 retornaram quando seus países se tornaram mais livres.



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