Início » Economia » Mais etanol, menos petróleo
ESTADOS UNIDOS

Mais etanol, menos petróleo

Produtores de milho da região Centro-Oeste dos EUA pressionam Donald Trump a aumentar a produção de etanol

Mais etanol, menos petróleo
Não é a primeira vez que Trump sugere uma medida para aumentar a produção de etanol (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Durante a campanha eleitoral, Donald Trump fez duas grandes promessas: renegociar os acordos de livre comércio e incentivar a produção de etanol para ajudar os produtores de milho.

Trump cumpriu a primeira promessa, com a saída dos EUA da Parceria Transpacífico, com a renegociação do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) e a imposição de tarifas comerciais a produtos chineses.

A guerra comercial dos EUA com a China prejudicou os produtores de grãos, com a queda dos preços do milho e da soja em resposta à criação de novas tarifas para produtos importados dos EUA pela China. Em meio à tensão comercial, os produtores agrícolas de lugares de importância política como Iowa, Missouri e Michigan, pressionam o governo para cumprir a promessa de apoiar a produção de etanol.

Na visão de muitos agricultores, Trump aliou-se ao setor de petróleo, que, segundo eles, exerce uma influência prejudicial na política de produção de etanol. Esse mesmo argumento foi usado por Trump para atacar o senador texano Ted Cruz na primária do Partido Republicano.

“O senador Ted Cruz vai destruir a produção de etanol no país”, disse Trump aos  eleitores durante a convenção em Iowa, em 2016. “Mas não o culpo por essa atitude, porque sua campanha é financiada por empresas de petróleo que não se interessam em apoiar a produção de etanol”.

Agora, com as eleições legislativas em novembro, a pressão dos agricultores do meio-oeste sobre o governo a fim de garantir o apoio à produção de etanol está aumentando. Eles temem que as refinarias de petróleo prejudiquem a atuação do Renewable Fuel Standard (RFS), um programa do governo federal criado para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e expandir o uso de combustíveis renováveis, como o etanol.

“Se não houver um aumento na produção de etanol teremos uma recessão no setor agrícola”, disse Richard Oswald, um produtor de milho e soja de Langdon, Missouri.

Em Iowa e nos estados vizinhos as estradas são cercadas por plantações de milho. Na recepção da POET Biorefining, uma fábrica de etanol em Iowa, perto da cidade de Corning, o visitante vê um boné de beisebol azul com a frase “Make the RFS Great Again” semelhante à frase escrita nos bonés vermelhos dos eleitores de Trump, “Make America Great Again”. O RFS não é um tema relevante na política americana, mas é de vital importância para os produtores de milho e para as comunidades que vivem em torno das plantações.

“No momento atual, a redução da demanda, seja de etanol ou de soja, terá um efeito prejudicial para o setor agrícola”, disse Jim Sutter, CEO do US Soybean Export Council.

O apoio da comunidade local ao etanol tem uma razão simples. Antes quase 40% da safra de milho dos EUA era usada na fabricação de etanol. Mas o governo Trump isentou algumas refinarias do cumprimento da exigência de manter essa proporção. Essa concessão reduziu a demanda por etanol em mais de 2 bilhões de barris e, como resultado, diminuiu a demanda por milho, com a consequente queda do preço.

A provável permissão do governo da venda de gasolina com uma mistura de 15% de etanol, o combustível E15, durante o ano inteiro dará um novo impulso à oferta de etanol no mercado. Atualmente, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) proíbe a venda do E15 durante o verão para evitar o aumento da poluição em dias mais quentes.

Não é a primeira vez que Trump sugere uma medida para aumentar a produção de etanol, como uma forma de contrabalançar os prejuízos de sua agenda comercial, mas ainda não está claro em que momento essa medida poderia ser adotada. “Estamos aguardando os próximos passos do governo”, disse Greg Olsen, gerente-geral da fábrica POET Biorefining.

Porém, Trump enfrenta a pressão de grupos poderosos do setor de petróleo e gás, como os irmãos Koch que têm grande influência no Partido Republicano e que se opõem radicalmente a qualquer mudança.

A capacidade ou não do presidente Trump de conciliar os interesses antagônicos de ambos os lados terá implicações políticas importantes. Por um lado, se não cumprir a promessa de campanha sua credibilidade ficará abalada. Por outro, o apoio político e financeiro dos grandes empresários do setor de petróleo e gás é vital para o governo.

Fontes:
Time-Why Donald Trump Is Feeling the Heat From Midwestern Farmers

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *