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MERCADO LEGAL

Marcha global da maconha avança a passos firmes

O Uruguai, por exemplo, conseguiu reduzir tanto o tráfico quanto o preconceito ao criar um 'Mercado Regulado de Cannabis'

Marcha global da maconha avança a passos firmes
No Uruguai, um relatório mostrou que mais da metade dos usuários de maconha (54%) já compram a erva dentro do sistema legal (Foto: Uol Notícias)

Foi-se o tempo em que, ao ouvirmos falar de comercialização legal de maconha para uso recreativo no chamado “mundo livre”, imediatamente – e exclusivamente – vinha à memória o cenário dos coffeeshops holandeses.

A marcha global do uso recreativo da maconha dentro da lei avança a passos firmes. Nos EUA, apesar de Trump (que é notoriamente antipático a essa onda, sem trocadilho), o Massachusetts e o Maine devem se juntar ainda em 2018 aos seis estados americanos que já permitem a venda de maconha para esse fim: Alasca, Colorado, Nevada, Oregon, Washington e Califórnia, sendo que este último é hoje, e desde janeiro, nada menos que o maior mercado de maconha do mundo. O Canadá pode ser tornar, em breve, o maior país industrializado com regulamentação para venda e uso de maconha recreativa em todo o seu território. É uma promessa de campanha do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e um projeto de lei neste sentido já tramita no Parlamento do país, com expectativa de aprovação para julho próximo.

Do outro lado do Atlântico, há hoje cerca de 700 clubes de maconha na Espanha, devidamente registrados e, portanto, perfeitamente legais. Em janeiro deste ano a França acabou com a pena de prisão para quem for flagrado pela polícia com cannabis. Em Portugal, ainda que (ainda) não seja permitida a produção e comercialização de maconha para uso recreativo, desde 2001 não é crime o uso não apenas de maconha, mas de qualquer droga. Trata-se do primeiro país do mundo a considerar o uso de drogas como uma questão 100% de saúde pública.

Bem diferente do Brasil, onde o Estado considera o uso de drogas quase que 100% como caso de polícia, contribuindo, assim, decisivamente para nos colocar no topo do ranking dos países com mais mortes violentas em todo o mundo, e das maiores populações carcerárias também. Por outro lado, o apoio à descriminalização da maconha entre os brasileiros está no maior patamar histórico, ainda que em baixos 32%, segundo pesquisa recente do Datafolha, e ministros do STF tem dados sinais de que, em um futuro próximo, a questão pode ser abordada pelo Supremo de maneira séria e consequente.

No Uruguai, um relatório do Instituto de Regulamentação e Controle da Cannabis (IRCCA) mostrou que mais da metade dos usuários de maconha (54%) já compram a erva dentro do sistema legal, menos de um ano após a regulamentação do seu uso para fins recreativos, feita em julho do ano passado.

Uruguai, demanda maior que oferta legal

O chamado “Mercado Regulado de Cannabis” na República Oriental do Uruguai constitui-se de três maneiras diferentes para conseguir maconha: o autocultivo, o cultivo em cooperativas ou em clubes de maconha e a compra em farmácias de até 40 gramas da droga por mês. Na maconha vendida em farmácias, o THC, principal substância psicoativa da cannabis, é limitado a 9% (na maconha autoproduzida, pode chegar a 20%).

O governo do Uruguai estima que haja atualmente no país 147 mil usuários de maconha, ou cerca de 5% da população – o dobro do percentual de usuários de maconha no Brasil. Vinte e quatro mil pessoas estão registradas para a compra de maconha em farmácias uruguaias, mas, às vésperas de se completar um ano da estreia da nova droga nas prateleiras das drogarias, o Estado uruguaio – o único Estado do mundo que controla a produção, distribuição e venda de cannabis para uso recreativo – mal está conseguindo suprir a demanda.

O El País, em reportagem recente, informa que “a farmácia Camaño de Montevidéu precisou implementar um sistema de senhas que são distribuídas duas vezes por dia, às nove da manhã e às quatro da tarde. A partir daí, são formadas grandes filas que chegam a quatro quarteirões e todas as reservas se esgotam”.

Isso apesar do fato de que estrangeiros não residentes não podem comprar maconha legal, o que significa dizer que o país não cedeu aos encantos do turismo canábico, que é uma espécie de primo mais novo do enoturismo ou do turismo cervejeiro, mas que no Uruguai está legalmente restrito, por exemplo, a visitas ao Museu da Cannabis de Montevideo. O clube de maconha que for flagrado oferecendo a droga a estrangeiros não residentes pode ter seu registro cassado e está sujeito a uma multa de US$ 67 mil.

As autoridades do país já ligaram um sinal de alerta. Com o mercado legal, o país conseguiu tomar do mercado clandestino, segundo estimativas, 50% da demanda de maconha. Além disso, o índice de pessoas contrárias à legalização do mercado de cannabis despencou de 70%, em 2012, para 41%, em 2018. Mas, com apenas 20% das pessoas registradas conseguindo se abastecer regularmente, o “Mercado Regulado de Cannabis” arrisca ver abaladas suas duas maiores conquistas, que põe o Uruguai na vanguarda mundial: a diminuição tanto do tráfico quanto do preconceito da população contra a descriminalização do uso de drogas.

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3 Opiniões

  1. Rogerio Faria disse:

    O Brasil é aquilo: muitas igrejas, templos, basílicas, mosteiros…

  2. carlos alberto martins disse:

    vendo a cracolândia em SP chego a conclusão que a droga só beneficia o traficante,que fica milionário com a miséria humana lá retratada.até quando?todos sabemos que a droga,cria criminosos,doentes mentais,seres improdutivos,falta de crença em DEUS,destruição de lares,e quem paga a conta somos nós.gostaria de saber quem paga para que haja liberação e,a quem mais interessa a degradação do ser humano em viver na promiscuidade.se maconha fosse de vital importancia,trazendo beneficios a quem usa,não seria chamada de dróga e sim de santo remédio para todos os males.não me engana que eu não gosto.bando de hienas.

  3. Laércio disse:

    Traficantes, maus políticos e latrocidas deveriam sem condenados a pena de morte. Nossa constituição não condiz com ideais de nação próspera. O Uruguai não é exemplo de nada!
    O problema é dinheiro! A Cracolândia em São Paulo da dinheiro para muita gente! Está tudo errado! Temos que acabar com algumas minoritários que estão afundando o Brasil

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