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Obituário

Morte de magnata dos negócios marca o fim de uma era

Peter Wallenberg personificava a velha aristocracia que dominava o tradicional sistema de negócios sueco. Ele morreu em 19 de janeiro

Morte de magnata dos negócios marca o fim de uma era
O empresário Peter Wallenberg morreu em 19 de janeiro, aos 88 anos (Reprodução/AFP)

O sobrenome Wallenberg está tão associado ao mundo dos negócios, dinheiro e poder na Suécia, que quando o herdeiro da família, Peter Wallenberg (na foto acima), morreu em 19 de janeiro, aos 88 anos, muitos estavam dispostos a enterrar também o tradicional modelo de negócios sueco.

A família fez sua fortuna com o banco SEB, cujo precursor foi fundado em 1856 pelo tataravô de Wallenberg. Os Wallenberg tiveram propriedade plena ou parcial de muitas das empresas mais conhecidas da Suécia, como a Asea (agora conhecida como ABB), Electrolux, Ericsson, SKF, a empresa de papel Stora Enso e a Saab (a próspera empresa de defesa e não a extinta montadora). A família ainda é imensamente rica, mas os dias de uma economia sueca caracterizada por um pacto social entre trabalhadores sindicalizados e proprietários aristocráticos, como o Sr.Wallenberg, ficaram para trás.

Em seu auge no século 20, o modelo sueco valorizava o consenso acima de tudo. Embora os chefes de empresas enfrentassem os líderes sindicais em negociações salariais, eles também trabalhavam juntos para evitar greves e manter as fábricas funcionando. Os benefícios oferecidos por empresas eram generosos: muitas davam refeições gratuitas e emprestavam a casa de veraneio da empresa a funcionários. Não era incomum trabalhadores permanecerem em uma empresa de grande porte ao longo de toda a carreira.

Os proprietários também mantinham suas empresas durante décadas. O modelo sueco não reagia a resultados trimestrais. Investidores como os Wallenberg controlavam vastos segmentos dos negócios com uma participação acionária relativamente pequena graças ao sistema das chamadas golden shares (ações douradas), que os permitia desfrutar de um poder de voto até mil vezes maior que o peso das ações normais.

Mudando as regras do jogo

Hoje, os jovens empresários suecos que lançaram o boom de TI do país na década de 1990 abalaram esse esquema de conveniência. Muitas das maiores empresas suecas também foram compradas por empresas ou investidores estrangeiros, que mudaram o sistema. Enquanto isso, como em outras partes do mundo desenvolvido, a filiação sindical tem caído constantemente, de uma alta de 84% no início de 1990 para 68% em 2013.

As velhas hierarquias estão longe da extinção, mas os jovens brâmanes suecos serão obrigados a compartilhar a sua influência com pessoas de fora. Se ainda existe um modelo sueco, ele já não é aquele em que Peter Wallenberg desempenhava o papel do patriarca benevolente.

Fontes:
The Economist - Elegy for a Patriarch

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