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Mudanças no mundo executivo francês

As maiores empresas da França estão perdendo seus executivos em um ritmo extremamente rápido

Mudanças no mundo executivo francês
O Conselho de Administração do grupo Sanofi declarou que irá continuar a estratégia de expansão internacional de Viehbacher (Reprodução/AFP)

O modelo tradicional da contratação de executivos nas grandes empresas da França está passando por um grande processo de mudança, no qual a renovação dos quadros de chefia, demissão e renúncia aos cargos têm sido crescentes. Em 29 de outubro, Christopher Viehbacher, o CEO de nacionalidade alemã-canadense do grupo Sanofi, um gigante da indústria farmacêutica, foi demitido em razão de divergências com o Conselho de Administração da empresa (ou como assim justificou o conselho).

O Conselho de Administração do grupo Sanofi declarou que irá continuar a estratégia de expansão internacional de Viehbacher. Mas muitos acreditam que a recente decisão do primeiro executivo-chefe de nacionalidade não francesa da empresa de mudar o escritório para Boston, onde ficaria mais perto das pesquisas realizadas pela Sanofi, provocou a ruptura.

No caso de Christophe de Margerie um acidente de avião fatal o privou de suas funções como executivo-chefe da companhia petrolífera Total. Por diversas razões, os CEOs de três empresas que dominam o setor de energia francês foram demitidos. Em outubro, o governo francês não renovou o contrato de Henri Proglio como CEO do grupo EDF, uma empresa do setor de energia nuclear administrada pelo governo. Pouco depois, Luc Oursel, o executivo-chefe da Areva, uma empresa estatal de engenharia nuclear, anunciou sua demissão por razões de saúde. E a empresa GDF Suez, outro gigante do setor de energia, indicou Isabelle Kocher para assumir o cargo de CEO em 2016, após a partida do atual executivo-chefe, Gérard Mestrallet.

Apesar dos motivos diferentes, essas mudanças têm pontos em comum. Além do limite de idade de aposentadoria como no caso do grupo EDF e do GDF, existe também uma tensão entre a crescente globalização do setor empresarial da França e o interesse hegemônico do Estado na economia do país. As grandes empresas da França expandiram suas atividades internacionais, em parte para evitar os impostos elevados, as leis trabalhistas rígidas e o crescimento interno reduzido. As mudanças refletem também o nervosismo dos políticos franceses e de muitos eleitores diante da ameaça dessas joias corporativas perderem suas características essencialmente francesas.

Fontes:
The Economist-Room at the top

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