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Empreendedorismo

Muito suor, pouco glamour

Na maioria dos casos, abrir um negócio é muito mais difícil do que se pensa

Muito suor, pouco glamour
Mais da metade das startups americanas somem dentro de cinco anos (Reprodução/Internet)

Está na moda romantizar os empreendedores. Professores de administração gostam de exaltar os gênios que quebram as regras e mudam o mundo. Políticos os elogiam como criadores de riqueza. Mas a realidade pode ser tão romântica quanto mastigar vidro: empresários de primeira viagem não têm garantia de emprego, se preocupam constantemente com dinheiro e levam a vida social de eremitas.

Phil Libin, o chefe da Evernote, um serviço de armazenamento de documentos, diz que não há como levar uma vida equilibrada quando se abre um negócio. É um trabalho que consome todo o seu tempo e não sobra nada para a família ou os amigos, diz. Aaron Levie, um dos fundadores da Box, uma empresa de armazenamento de dados em nuvem, conta que passou dois anos e meio dormindo sobre um colchão em seu escritório e comendo macarrão instantâneo. Vivek Wadhwa, um empresário que virou acadêmico, teve um ataque cardíaco logo que completou 45 anos, no momento em que abria o capital de uma empresa enquanto tentava reavivar outra.

Mais da metade das startups americanas somem dentro de cinco anos. A maioria dos sobreviventes tropeça ao longo docaminho. Shikhar Ghosh, de Harvard, constatou que três quartos das startups financiadas com capital de risco, o crème de la crème do mundo dos negócios, não chegam nem a devolver o que foi investido nelas,  muito menos gerar um retorno positivo. Em 2000 Barton Hamilton, da Universidade de Washington, comparou as distribuições de renda dos assalariados e empreendedores americanos e concluiu que os empreendedores receberam 35% a menos ao longo de um período de dez anos.

Essa montanha-russa emocional seria capaz de abalar até mesmo as pessoas mais equilibradas. Mas parece que o empresário médio está longe de ser equilibrado. John Gartner, que ensina psiquiatria na Universidade Johns Hopkins, sugere que um número desproporcional de empresários sofre de hipomania, um estado psicológico caracterizado pelo excesso de energia e autoconfiança, mas também inquietação e propensão a correr riscos.

O paradoxo da atual visão romântica dos empreendedores é que essa idealização leva as pessoas a subestimarem suas realizações. É fácil invejar empresários quando se concentra em um punhado de histórias de sucesso.

 

Fontes:
The Economist-Entrepreneurs anonymous

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