Início » Economia » Na relação com a Rússia, a China dá as cartas
China e Rússia

Na relação com a Rússia, a China dá as cartas

Ocidente não deve entrar em pânico com o novo acordo de gás entre Rússia e China

Na relação com a Rússia, a China dá as cartas
Vladimir Putin dá uma guinada rumo ao Oriente. Os EUA deveriam estar preocupados? (Reprodução/Reuters)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Em 21 de maio, após uma reunião apreensiva que se estendeu até muito tarde, a China e a Rússia assinaram um enorme acordo de gás no valor de, estima-se, cerca de US$ 400 bilhões. O acordo estipula que a estatal russa Gazprom fornecerá à estatal chinesa Empresa Petrolífera Nacional 38 bilhões de metros cúbicos de gás por ano entre 2018 e 2048. O acordo fechou uma visita de dois dias do presidente russo Vladimir Putin à China, a qual incluiu um congresso de segurança regional e exercícios militares conjuntos na costa chinesa.

Putin afirmou que o acordo é o maior do setor de gás da história da Rússia, mas ele também é importante pela geopolítica em seus bastidores. O fato de que o acordo foi firmado agora, após uma década de negociações, não foi um acidente. O acordo ajudará o Kremlin a reduzir a dependência da Rússia nas exportações para a Europa. Trata-se de uma prova de que Putin tem aliados no momento em que tenta enfrentar as sanções ocidentais em relação à Ucrânia.

Tanto a Rússia quanto a China desejam se afirmar como potências regionais. Ambas têm relações cada vez mais desgastadas com os EUA, que eles acusam de retardar o seu desenvolvimento. Mas, há 40 anos, Richard Nixon e Henry Kissinger convenceram a China a se virar contra a União Soviética e se aliar aos EUA. Seria a colaboração atual entre Rússia e China indicativa da renovação de uma aliança contra os EUA?

Essa certamente é a impressão que Putin quer criar. Antes de sua visita ele bradou para a mídia chinesa, afirmando que a China era “uma amiga de confiança da Rússia”. A cooperação, afirmou ele, está “em seu nível mais alto nos últimos séculos”. Do lado chinês, Xi Jinping escolheu a Rússia como o primeiro país que visitou após ter se tornado presidente em 2013. Os laços comerciais estão crescendo. A China é o maior parceiro comercial da Rússia, com fluxos bilaterais de US$ 90 bilhões em 2013. Mesmo antes do acordo do gás, os dois lados pretendiam dobrar esse volume até 2020. Os dois também têm muito em comum em termos geopolíticos. A China se absteve de um voto no Conselho de Segurança da ONU em março que teria rejeitado um plebiscito que a Rússia apoiava na Crimeia antes de anexá-la. A China também se uniu à Rússia no veto às tentativas da ONU de impor sanções ao regime de Bashar Assad, que trava uma guerra civil na Síria. Além disso, os dois assumiram posições similares em relação a questões como o programa militar iraniano.

Mas o Ocidente não deve entrar em pânico. Apesar disso tudo, a Rússia e a China terão dificuldades em superar algumas diferenças fundamentais. A começar pelas evidências do acordo de gás em si: o fato de que levou dez anos para fechá-lo sugere quão difícil é chegar a um acordo. Diz-se que os chineses pediram um preço muito baixo, sabendo que Putin estava desesperado para ter algo a mostrar nessa viagem. Nesse acordo, como em outras coisas nesse relacionamento, é a China quem dá a palavra final.

 

Fontes:
The Economist-Best frenemies

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Alcebiades Abel Filho disse:

    O acordo entre China e Rússia estabelece um equilíbrio de força na região. Os EUA e a União Europeia não respeitam as características históricas do território ucraniano composta de uma forte população Russa. Não faz sentido a Ucrânia se aliar a uma União Europeia fracassada sob a tutela do FMI.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *