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A loucura dos grandes homens

Polêmica envolvendo chefe da News Corporation é mais um caso entre os muitos que envolvem grandes empresários e uma boa dose de megalomania

A loucura dos grandes homens
Empresário que revolucionam a indústria acabam sendo vítimas de seu próprio sucesso

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A aparição de Rupert Murdoch na Câmara dos Comuns fez com que o mundo debatesse se ele é um gênio do mal sofrendo os males de sua idade avançada ou um gênio do mal enganando o mundo. Balzac supostamente escreveu que “por trás de toda grande fortuna está um grande crime”. Seria mais correto afirmar que por trás de toda fortuna há uma aberração psicológica. Henry Ford detestava judeus. George Eastman apoiava a espionagem industrial. Thomas Watson transformou a IBM em um culto à personalidade. Michael Milken, o inventor das junk bonds foi preso. Richard Tedlow, da Harvard Business School diz que muitos dos “gigantes dos negócios” sofrem de um mal que os noruegueses chamam de stormannsgalskap: a loucura dos grandes homens.

A stormannsgalskap é particularmente comum entre os barões da mídia, especialmente porque eles transitam na tênue linha entre os relatos da realidade e a formação dessa mesma realidade a ser relatada. Suspeita-se que William Randolph Hearst teria fomentado a guerra Hispano-Americana para que seu jornal tivesse algo a reportar. Lorde Beaverbrook se considerava um “apontador de reis”, algo que ele fez literalmente no caso de George VI. A megalomania desses homens foi capturada em duas obras-primas. Cidadão Kane, o filme de Orson Welles, e Scoop, o romance de Evelyn Waugh.

O lado bruto dos empresários é quase sempre tão importante para seu sucesso quanto seu lado admirável. Não é possível remodelar toda uma indústria sem uma extraordinária confiança em sua certeza. E construir uma grande companhia do zero sem o que Tedlow chama de “imperialismo da alma” é um trabalho duro. A teimosia de Ford o levou a produzir carros em massa antes que existissem estradas suficientes para que eles circulassem. Mas ela também o cegou mais tarde, quando ele não percebeu que a General Motors estava vencendo a disputa comercial ao oferecer mais opções a seus consumidores. O desdém de Milken pelo modo como as coisas eram feitas o permitiu realizar uma revolução nos mercados financeiros, mas também não o fez perceber que estava violando a lei. O lado ruim dos grandes homens de negócios costuma piorar com a idade. Eles se cercam de familiares e lacaios, se tronam obsessivos com seus sucessos do passado, e passam a acreditar que são invulneráveis à medida em que a mortalidade se aproxima.

Os problemas de Murdoch seguem um padrão familiar. Ele construiu um império sendo mais esperto que companhias tradicionais ao redor do mundo e correu riscos extraordinários. No caminho, colecionou vários braços-direitos leais, que compartilham não apenas de suas opiniões conservadoras, mas também de sua visão “nós contra o resto do mundo”, e ele agora paga um preço por esse comportamento. Seu enorme império está ameaçado por uma única maçã podre. Antes de seu fechamento, o News of The World era responsável por menos de 1% das receitas da News Corporation. Ele foi aconselhado a se livrar do jornal, mas o manteve por uma forte ligação emocional.

Fontes:
The Economist - "Great bad men as bosses"

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5 Opiniões

  1. João Cirino Gomes disse:

    Bom texto para refletirmos!

    Não defendendo a ganancia; pois para os empresários que produzem, existe uma atenuante!

    O caso de banqueiros e políticos que nada produzem é diferente, e estas são as classes mais gananciosas no Brasil!

    E nem são grandes homens assim; se fazem grandes a custas do oportunismos, se apossando dos impostos da população em beneficio próprio!

    E estão mais para judas, traiçoeiros,ladrões, corruptos, mentirosos e espertalhões sem honra e dignidade!

  2. Cinai disse:

    A pessoa deixa o sucesso subir a cabeça.
    Todos os trabalhos realizados, não precisaria se acabar mal, se mantivessem a humildade.

  3. Cinai disse:

    Atiçar para se ter guerra, para criar notícia.
    É loucura mesmo.

  4. Carlos U. Pozzobon disse:

    Acho que Murdoch não deve se importar muito com sua reputação: afinal ele está recebendo de volta do resto do mundo insultos muito piores do que praticou. Se uma parte de sua organização não demonstra praticar o mesmo tipo de calúnias que o NoW, então fica mais do que evidente que o modelo de mídia que ele permitiu que se desenvolvesse na Grã-Bretanha foi capaz de respingar em todo o seu império. Não faltarão políticos utilizando para sua defesa jargões do tipo: isso é coisa da imprensa do Murdoch. E quem sabe até um neologismo do tipo ‘murdoquismo’ não venha a baila com esse caso. O que me lembra de masoquismo, um derivado do nome de Leopold von Sacher-Masoch, o escritor austríaco do século XIX que deu nome as perversidades sexuais. O murdoquismo seria uma crítica perversa dirigida a figuras públicas com o intuito de denegrir sua reputação, baseada em arapongagem de informações. Nesse caso não se trata de alguma coisa nova; aliás, muito antes pelo contrário.

  5. André Vinícius Vieites disse:

    Uma verdadeira proposição das contribuições do que aquele proporcional braço estético – Império – No cômputo do valor de mercado de todos os press juntos, não se tem mais coordenação de ritmo de crescimento, os números crescentes e formas de novos negócios costuma piorar com a idade, desses próprios negócios, é um desgaste natural. Império do desgaste natural.

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