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McLaren: a receita britânica do sucesso

Manutenção de fábrica local, relação entre design e montagem, e alta qualidade são ingredientes que explicam triunfo da McLaren

McLaren: a receita britânica do sucesso
Fábrica da McLaren produz mais de 4 mil automóveis de luxo por ano

A sede da McLaren, uma bem sucedida escuderia de Fórmula 1, parece muito chique para a fabricação industrial. Situada nos campos de Surrey, a estrutura com frente de vidro, elaborada por Norman Foster, contorna graciosamente um lago cuja água refrigera o prédio. Tudo é impecável e silencioso, sem macacões cobertos de graxa (a equipe usa Hugo Boss) ou máquinas barulhentas — é mais parecido com uma galeria de arte do que com uma oficina mecânica. No entanto, mais de 4 mil carros são produzidos lá anualmente.

Um longo túnel liga o prédio principal à nova fábrica, também projetada por Foster, onde a produção do carro esporte de £ 170 mil, o MP4-12C, começa no fim deste ano. Produzir um carro a cada 45 minutos seria muito lento para a Nissan ou a BMW (que recentemente anunciaram novos investimentos no Reino Unido); para os supercarros é um caso de produção em massa.

No mundo dos carros de corrida, engenheiros britânicos costumam ser os melhores no campo da inovação, superando os padrões de réplicas dominados por alemães e japoneses. Mas a McLaren tem pedigree como fabricante de carros comerciais. Seu primeiro carro esporte, o F1, agora é vendido por dez vezes seu preço original de £ 540 mil. Apenas 107 modelos foram fabricados, mas uma joint-venture subsequente entre produziu a Mercedes-McLaren SLR, que vendeu mais de 2 mil cópias. “A joint-venture nos ensinou o controle de qualidade da Mercedes – uma grande lição para nós”, diz Ron Dennis, chefe da McLaren. Já existem mais de 1700 pedidos pelo 12C, a maioria deles, dos Estados Unidos.

Esse encorajamento antecipado é a recompensa pelos esforços da McLaren em espalhar um pouco da magia da Fórmula 1 nos carros comerciais. O túnel garante um fluxo de mão-dupla de pessoas e ideias; operários comem no mesmo refeitório dos pilotos. O chassi do 12C é feito de fibra de carbono, o leve, mas resistente material que dá aos carros de Fórmula 1 sua velocidade e agilidade. Até agora, essa tecnologia só havia sido aplicada a automóveis muito mais caros. Dennis acredita que as montadoras britânicas precisam pensar alto: “O trabalho é precioso, e o terreno é escasso, então nossa produção tem que ser de ponta”.

Por mais inusitado que possa parecer, a McLaren compartilha várias características com outras empresas britânicas – que produzem instrumentos médicos, kits militares, satélites de comunicações, iates de luxo, e mesmo bicicletas – que prosperaram nos mercados globais. Eles tendem a ser pequenas empresas que fabricam produtos de alta qualidade para nichos do mercado. A necessidade do monitoramento constante para evitar possíveis falhas significa que a produção não é terceirizada, o que permite uma ligação mais forte entre o design e a linha de montagem – essencial em cenários nos quais a inovação altera frequentemente os processos de produção.

Os melhore conseguem transformar a produção caseira em uma ferramenta de marketing. Como acontece com a Rolls-Royce ou as bicicletas dobráveis Brompton. A “britanicidade” da McLaren é um bem nos mercados estrangeiros. Sua sofisticada fábrica ajuda a manter esse apelo.

Fontes:
The Economist - "Small is beautiful"

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1 Opinião

  1. João Bosco Maria Duarte disse:

    Já era hora de a tradicional indústria autmobilística britânica renascer das cinzas e começar a mostrar ao mundo que, além de ter uma capacidade ímpar de construir lendas como Rolls&Roices, Jaguars e MacLarens, pode, por-que não, voltar a ter uma indústria automobilística grande e competitiva de capital nacional. É interessante saber que o Reino Unido é um dos únicos países desenvolvi-dos do mundo a não ter uma indústria automobilística com estas características. Podemos enumerar os paíse ricos que dispõem de grades marcas próprias de automóveis, fortes e competitivas, como:
    EUA – GM, Ford, Chrysler:
    Japão – Toyota, Honda:
    Alemanha – VW, DAimler-Benz, BMW;
    França – Renault, Pegeot/Citroën;
    Itália – Fiat;
    Não incluo a Suécia nesta lista, porque Volvo, que há alguns anos tinha sido adquirida pela Ford, foi por esta vendida no ano passado a um grupo chinês.
    Como se pode vê, não se encontra nesta mesma lista a presença do Reino Unido, pois todas as suas marcas outrora ímportantes como British Leyland e British Motors foram vendidas há algumas décadas atrás para grupos estrangei-ros, notadamente americanos, incluindo ícones como a Rolls&Royce, que hoje pertence à alemã BMW, depois de uma luta de braço com a sua compatriota VW, para ver quem ficaria com o seu controle.

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