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PETRÓLEO

Apesar de reservas, Petrobras enfrenta dificuldades para arrecadar fundos

Empresa fixa preço de barris do pré-sal, mas irrita investidores e estados da União

Apesar de reservas, Petrobras enfrenta dificuldades para arrecadar fundos
A Petrobras sofre com falta de capital (Fonte: Correio Braziliense)

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Há quatro anos, o Brasil descobriu petróleo guardado sob águas profundas e camadas de rochas, areias e sal corrosivo. Em certas partes o petróleo está localizado 7 km abaixo do nível do mar, então extraí-lo é um processo difícil. Aparentemente, conseguir financiamento também não será o mais simples dos processos.

No dia 1º de setembro, dois meses depois do planejado, o governo brasileiro anunciou os preços dos possíveis cinco bilhões de barris de petróleo localizado no Campo Franco, na Costa do Rio de Janeiro. A Petrobras, a companhia nacional de petróleo que foi parcialmente privatizada em 1997 (o governo ainda mantém 40% da companhia e a maioria dos direitos de voto) terá que pagar US$ 8,51 por barril. Analistas afirmam que US$ 6 seria um preço mais razoável. O barril de petróleo custa US$ 74 na superfície, mas seu valor cai muito quando ele está submerso.

A Petrobras é a maior companhia da América Latina em valor de mercado, mas sofre com falta de capital e suas brigas com o governo nacional ajudaram a desvalorizar suas ações em 25% desde o início de 2010. Definir um preço para suas reservas é o primeiro passo de um complexo plano para arrecadar capital. No dia 30 de setembro a companhia deve realizar um leilão dos direitos de exploração, nos quais acionistas menores poderão participar. A Petrobras esperava arrecadar US$ 25 bilhões, mas esse valor parece difícil de ser atingido na situação atual.

O desastre da BP no Golfo do México mostrou os riscos das perfurações em águas profundas. As futuras concessões brasileiras devem ser realizadas com os lucros sendo divididos entre a Petrobras e outras companhias. Em todos os casos, o governo deverá exigir que sua companhia seja a operadora principal, e que 65% dos contratos envolvendo perfurações, navios e plataformas, vá para empresas brasileiras, o que desperta a ira dos investidores. Estima-se que haja cerca de 50 bilhões de barris de petróleo nas camadas do pré-sal, o que obrigará os trabalhadores brasileiros a adquirirem habilidades que não têm.

Maiores atrasos são possíveis, e acionistas minoritários ameaçam processar a empresa. Além disso, os estados litorâneos acusam o governo federal de explorar suas riquezas e mandá-las aos estados mais pobres no norte e nordeste do país.

Com a aproximação das eleições federais de 3 de outubro, o governo tratou de evitar as acusações de “entreguismo” que teriam surgido caso o preço dos barris estivesse mais de acordo com o gosto dos investidores. O presidente Lula falou em diversas ocasiões sobre o legado das riquezas do petróleo, que, segundo ele, levarão o Brasil ao posto de “país desenvolvido”. Ele chegou a planejar um fundo de desenvolvimento, que usará a parte do governo nos lucros da Petrobras em infraestrutura, educação e moradia. Mas antes disso, o petróleo deve jorrar, e isso significa capital privado entrando nos cofres da Petrobras.

O gráfico abaixo mostra o crescimento no consumo e produção de petróleo no Brasil, nos últimos 45 anos.

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Fontes:
Economist - Petrobras: Over a barrel

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1 Opinião

  1. jaderdavila the small shareholder disse:

    quando vc pede dinheiro pra pobre,
    o pobre faz mil perguntas e no fim nao te dá nada.
    petrobras, vai falar com quem tem o bolso pesado e quer oleo.
    o chines.
    faz igual o eike batista.

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