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BTG Pactual pode se juntar a grupo dos grandes bancos de investimento

Banco abre escritórios no exterior e já é o maior no ramo de investimento nos mercados emergentes

BTG Pactual pode se juntar a grupo dos grandes bancos de investimento
André Esteves mantém cerca de 30% das ações do BTG Pactual (Fonte: Agência Estado)

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Até 2009, o Banco Pactual, estava conformado à doutrina dos darwinistas do investimento, que afirmam que somente as grandes firmas globais conseguem sobreviver no mercado. Em 2006, o banco foi vendido ao banco suíço UBS, tornando seus sócios alguns dos homens mais ricos do Brasil. Mas em 2009, o banco suíço, que se recuperava de graves prejuízos, vendeu o Pactual de volta ao BTG – um fundo de investimento brasileiro, fundado por André Esteves, um dos antigos chefes do banco – por US$ 2, 5 bilhões. Hoje, o BTG Pactual pertence novamente a Esteves – que mantém cerca de 30% das ações – e seus sócios.

O banco é líder em levantamento de capital e negócios envolvendo ações e títulos. Recentemente, o Pactual se tornou o principal nome nas consultorias de fusões e manteve uma importante unidade de controle de ativos. Embora os lucros ainda estejam distantes dos generosos números de 2007, o banco mantém influência financeira, com uma receita de cerca de US$ 750 milhões, e um capital de US$ 2 bilhões. Isso faz dele provavelmente o maior banco independente de investimento nos mercados emergentes. As discussões atualmente não giram em torno de uma venda do banco, e sim, da possibilidade do BTG Pactual se juntar ao grupo dos grandes bancos de investimento mundiais.

O fato de o banco ser uma parceira ajuda os negócios. “Os cliente nos vêem como homens de negócios, como eles”, diz Esteves, descrito por um admirador como “o melhor vendedor do planeta”. Uma mudança dos fundos de investimento brasileiros – que sairiam do mercado de capitais para transformar-se em títulos corporativos e patrimônio líquido – é bastante provável, o que estimularia o crescimento, diz Pérsio Arida, um dos parceiros do BTG Pactual, e ex-presidente do Banco Central Brasileiro. Com o declínio das firmas de Wall Street, Marcelo Mesquita, um dos sócios da Leblon Equities, e ex banqueiro da UBS, três firmas se aproximam dos grandes competidores do mercado: BTG Pactual, Credit Suisse (que comprou o banco Garantia, em 1998), e o Banco Itaú, um grande banco comercial, com um setor dedicado aos investimentos. O gráfico abaixo apresenta os índices de ativos dos bancos de investimento no Brasil.

O BTG Pactual está se fortalecendo no exterior e já tem escritórios em Londres, Nova York e Hong Kong, especializados em negócios relativos ao Brasil. Em grandes negociações de ativos, o banco afirma que vende mais ações a investidores estrangeiros que os membros do grupo dos grandes bancos de investimento. O período sob o controle do UBS ajudou a tornar o banco mais global, e hoje, os clientes estão mais familiarizados com o banco.

Dois riscos assombram o futuro do BTG Pactual. Ainda que num futuro próximo a situação seja estável, a médio prazo o banco se verá obrigado a emitir dívidas de longo prazo, caso queira se financiar, e gerar mais ativos. Isso pode minar o sentimento de liberdade do qual seus líderes desfrutam atualmente. O segundo é o controle de riscos. Muitos temem que sob o comando de Esteves, o banco se concentre mais em negociações, e menos nas relações com clientes. Esteves afirma que as negociações e os ativos privados representam apenas 20% da receita do banco, um índice ainda alto para as firmas ocidentais. No entanto, Esteves tem uma poderosa arma ao seu lado: com apenas 41 anos, ele tem tempo de sobra para analisar a ascensão de seu banco ao mercado dos grandes do investimento, e fazer fortuna pela segunda vez.

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Fontes:
Economist - Finance after the crisis: Pactual: The origins of a new species

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