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Depois de dez anos de batalha judicial nos EUA, a viúva de um homem que morreu de câncer de pulmão em 1997 ganhou um processo de US$ 145 milhões contra a gigante do tabaco Philip Morris.
A empresa jogou pesado para não ter que pagar os US$ 80 milhões que Mayola Williams havia pedido inicialmente, e o caso foi parar três vezes na Suprema Corte dos EUA. Na terceira e última audiência, realizada na última segunda-feira, 30, o tribunal deu ganho de causa à viúva.
A Suprema Corte decidiu que seu marido, Jesse, e a Philip Morris, fabricante dos cigarros Marlboro, foram igualmente responsáveis pelo câncer que o consumiu. O jornal Guardian se refere ao caso como um exemplo de perseverança contra um adversário aparentemente imbatível.
Em nossa opinião…
Dá prazer ver a indústria do câncer, neste caso a Philip Morris, levar uma surra. Mas, como é freqüente nos EUA, o valor da indenização é absurdo. A justificativa dos valores de indenizações tem de ter relação com quanto a pessoa ganharia se continuasse uma vida saudável até a expectativa média de vida do país. Um “janitor” (zelador) de um edifício não ia ganhar isso nem em 500 anos. Se uma indenização desse valor fosse dada a cada pessoa que morreu de câncer do pulmão, as indústrias iriam todas à falência imediatamente, o que não interessa a ninguém. Somos contra o tabagismo e achamos que ele deve ser combatido com medidas como proibição de toda e qualquer espécie de publicidade, proibição de venda a menores, proibição de fumar em lugares públicos, entre outras. Mas não uma proibição total que traria o contrabando e o banditismo, como mostrou a proibição de bebidas alcoólicas nos EUA no começo do século passado.