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Empresa de turismo mais antiga do mundo decreta falência

Falência da britânica Thomas Cook é fruto da concorrência com sites de viagem e da redução no número de turistas por conta da incerteza gerada pelo Brexit

Empresa de turismo mais antiga do mundo decreta falência
Falência resultou na maior operação de repatriação do Reino Unido em tempos de paz (Foto: Anna Zvereva)

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A empresa de turismo britânica Thomas Cook anunciou na noite do último domingo, 22, que estava encerrando as operações. A falência da operadora coloca em risco 9 mil empregos no Reino Unido e 13 mil pelo mundo.

Nas primeiras horas desta segunda-feira, 23, as autoridades do Reino Unido começaram uma gigantesca operação para repatriar cerca de 150 mil turistas britânicos em viagem pelo mundo. Estima-se que o governo vai desembolsar 100 milhões de libras (cerca de US$ 124 milhões) para concluir a operação.

A Thomas Cook já vinha enfrentando dificuldades para manter as operações nos últimos anos. Além das dificuldades promovidas pela concorrência com sites de turismo, a operadora encarou o receio dos britânicos em viajarem diante das incertezas promovidas pelo Brexit – processo de separação entre Reino Unido e União Europeia.

Ao longo do último final de semana, a Thomas Cook, que existia há 178 anos, tentou negociar uma injeção de capital de 200 milhões de libras (cerca de US$ 248 milhões) para manter as atividades.

No último domingo, a Thomas Cook realizou uma reunião com o conglomerado chinês Fosun e os credores para tentar garantir a injeção das 200 milhões de libras. Isso porque as 900 milhões de libras (cerca de US$ 1,1 bilhão) prometidas pelas partes não eram suficientes para manter as operações. Após oito horas de reunião, o CEO da operadora de turismo, Peter Fankhauser, deixou o local sem falar com jornalistas que estavam do lado de fora.

Ao todo, a Thomas Cook conta com 600 mil clientes em viagens de turismo pelo mundo, sendo 150 mil turistas britânicos. A operadora administrava diferentes hotéis e cruzeiros em várias partes do mundo. Essa operação ficará sob o controle de um interventor até a finalização do processo de falência.

A companhia aérea Condor, que pertence à Thomas Cook, afirmou que manterá as atividades. A empresa informou que pediu um empréstimo de emergência ao governo alemão para continuar operando normalmente.

A operadora britânica transportava cerca de 19 milhões de pessoas por ano. Sua principal atuação era na Europa, com a região da Alemanha e da Escandinávia, além do Reino Unido, sendo seus principais mercados. Agora, com a falência, as autoridades britânicas iniciaram aquela que promete ser sua maior operação de repatriação em tempos de paz.

“Tempo muito preocupante para funcionários e clientes da Thomas Cook. A maior repatriação em tempos de paz da história do Reino Unido agora levará as pessoas para casa”, escreveu o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab.

De acordo com um comunicado divulgado no site da Thomas Cook, as operações de repatriação tiveram início nesta segunda-feira e vão se estender até o próximo dia 6 de outubro. Após a data-limite, os britânicos terão de cuidar dos próprios planos de retornarem para o país. Ademais, a nota orienta turistas que ainda estejam no Reino Unido, prestes a iniciar a viagem, a não ir para o aeroporto, pois “seu voo não estará operando e você não poderá viajar”.

Perspectiva de piora

A Thomas Cook não foi a única empresa britânica afetada pelas incertezas promovidas pelo Brexit. Ao longo do primeiro semestre de 2019, o grupo siderúrgico British Steel e a companhia aérea British Midland Regional Limited (Flybmi) também já declararam falência.

Enquanto algumas empresas já anunciaram o encerramento de atividades, outras ainda estudam os efeitos que o Brexit pode causar no mercado. No último domingo, algumas das principais associações automotivas do Reino Unido e da União Europeia divulgaram um comunicado contra um Brexit sem acordo.

Isso porque o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, já se posicionou favorável à saída do país da União Europeia, com ou sem acordo. A possibilidade de não firmar um pacto com o bloco econômico causa temor em diferentes empresas que atuam no Reino Unido, mas que exportam para outros países.

A Sociedade de Fabricantes e Comerciantes Motores (SMMT, em inglês) divulgou um comunicado destacando os diferentes efeitos negativos que um Brexit sem acordo poderia causar no setor automotivo em todo o bloco econômico e no Reino Unido. Segundo a nota, um Brexit sem acordo pode significar uma conta de 5,7 bilhões de euros para a indústria e consumidores através de tarifas aplicadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Um Brexit ‘sem acordo’ teria um impacto imediato e devastador sobre a indústria, minando a competitividade e causando danos irreversíveis e graves. Os negociadores do Reino Unido e da UE têm a responsabilidade de trabalhar juntos para chegar a um acordo ou correm o risco de destruir esse pilar vital de nossas economias”, afirmou o CEO da SMMT, Mike Hawes.

No último mês de maio, alguns dos maiores empresários do Reino Unido, reunidos na Confederação de Indústria Britânica (CBI), já tinham assinado uma carta aberta ao sucessor da ex-primeira-ministra britânica Theresa May contra um Brexit sem acordo.

 “Está claro que para as grandes e pequenas empresas que sair da UE [União Europeia] com um acordo é o melhor caminho. Em caso de saída sem acordo, as perturbações em longo prazo para a competitividade britânica serão graves”, afirmou a diretora-geral da CBI, Carolyn Fairbairn, no comunicado.

Ao longo de 2018, 42 companhias já tinham trocado o Reino Unido pela Holanda devido às incertezas do Brexit. Várias empresas do setor automotivo já tinham anunciado mudanças nas operações no Reino Unido por causa do processo de separação do bloco econômico.

Leia também: Cerca de 100 empresas migram para a Holanda por Brexit

Fontes:
The Guardian-Thomas Cook collapses, stranding 150,000 UK holidaymakers
AFP-Gigantesca operação de repatriação após a falência da operadora de turismo Thomas Cook

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