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Europa vai limitar bônus de banqueiros

Decisão europeia de limitar bônus de banqueiros é atraente mas aumentará a competição com instituições estrangeiras

Europa vai limitar bônus de banqueiros
Bancos europeus terão que competir por talentos contra bancos e outras empresas concorrentes (Reprodução/PA)

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Defender a remuneração dos banqueiros equivale a se juntar a fanáticos para defender a liberdade de expressão: algo não muito divertido, mas por vezes necessário. O acordo sobre os bônus dos banqueiros europeus estabelecido em Bruxelas em 27 de fevereiro é uma dessas ocasiões.

O acordo, que ainda precisa ser ratificado pelos ministros das finanças europeus, avança demandas antigas do Parlamento Europeu para limitar a remuneração de banqueiros. Os bônus não poderão ser mais altos que seus salários (ou que o dobro de seus salários, caso os acionistas do banco em questão concordem explicitamente).

O lógica de limitar os bônus é atraente. Pagamentos extravagantes criam uma situação assimétrica para os banqueiros. Caso eles façam uma grande aposta e acertem, são recompensados com um bônus enorme. Caso o lance fracasse retumbantemente, arcam com apenas uma parcela limitada das consequências. Mas um desejo por justiça natural em geral leva a consequências inesperadas.

O mais óbvio é que limitar bônus ao valor de salários pode ter como consequência um aumento de salários fixos, uma vez que os bancos europeus terão que competir por talentos contra bancos e outras empresas concorrentes. Os salário fixos já aumentaram desde o início da crise, e essa tendência quase certamente continuará.

Os banqueiros europeus se preocupam menos com um êxodo súbito de pessoal devido ao teto remuneratório do que com uma inabilidade de contratar novos profissionais de alto nível em face da competição de Nova York e da Ásia, bem como de empregadores fora do setor bancário. Apesar de as sucursais europeias de bancos estrangeiros também ficarem sujeitas ao mesmo limite de pagamento, rivais temem que instituições estrangeiras encontrem maneiras de pagar mais a seus funcionários através de filiais offshore.

Fontes:
The Economist-Pro bonus

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