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DIA DE DESCONTOS

Funcionários da Amazon protestam em meio ao Prime Day

Na data em que a Amazon oferece descontos para alavancar as vendas, funcionários da empresa protestam por melhores condições de trabalho em vários países

Funcionários da Amazon protestam em meio ao Prime Day
Todos os anos, a Amazon é alvo de denúncias trabalhistas (Foto: AwoodMpls/Twitter)

O Amazon Prime Day é um dia especial de promoções do e-commerce Amazon em diferentes países do mundo. A empresa deve lucrar mais de R$ 21 bilhões na data, que iniciou na última segunda-feira, 15, e chega ao fim nesta terça-feira, 16. Porém, apesar do lucro, a data também expõe a luta dos trabalhadores da empresa por melhores condições de trabalho.

Em diferentes países do mundo, incluindo Estados Unidos, França, Alemanha e Reino Unido, milhares de empregados da Amazon se mobilizaram para protestar contra as condições trabalhistas da empresa. Os protestos ocorrem há anos, principalmente em datas voltadas para o comércio, como o Amazon Prime Day e a Black Friday.

A intenção dos manifestantes é chamar a atenção para o foco da empresa no lucro em detrimento dos direitos trabalhistas. Todos os anos, a Amazon é alvo de denúncias trabalhistas por parte dos empregados, que afirmam, até mesmo, a necessidade de urinar em garrafas plásticas pela impossibilidade de ir ao banheiro.

“Enquanto a Amazon oferece grandes descontos para seus clientes no Prime Day, os funcionários não têm um salário digno. […] A empresa deve finalmente reconhecer acordos coletivos para os setores de varejo e de correios”, afirmou Orhan Akman, do sindicato Verdi, o principal do setor terciário da Alemanha.

A Amazon, que atua em 18 países e emprega cerca de 600 mil pessoas, justifica os protestos alegando que a data, que foi criada para impulsionar o varejo e tem grande visibilidade, é utilizada por grupos trabalhistas para chamar a atenção para as suas causas. Porém, a empresa afirma que os sindicatos estão usando de desinformação para atrair maior apoio.

“Se esses grupos – sindicatos e os políticos se unirem à sua causa – realmente querem ajudar o trabalhador americano, nós os incentivamos a concentrar sua energia na aprovação de leis para um aumento no salário mínimo federal, porque US$ 7,25 é muito baixo”, afirmou a Amazon, através de um comunicado.

Segundo noticiou o Washington Post, que pertence ao empresário Jeff Bezos, dono da Amazon, a empresa varejista aumentou o piso salarial de todos os trabalhadores dos Estados Unidos para US$ 15 por hora. Bezos, inclusive, teria convidado varejistas rivais, como o Walmart, a fazer o mesmo, melhorando os direitos trabalhistas no setor.

Boicote ou lucro?

O sindicato britânico GMB, que coordena as manifestações no Reino Unido, garantiu que, apesar dos protestos, não está convocando um boicote à Amazon. Mesmo assim, milhares de pessoas usaram as redes sociais para tentar convocar um boicote nestes dias 15 e 16 de julho.

Em apoio aos manifestantes, os internautas compartilhavam uma imagem convocando o boicote, citando as “horríveis condições de trabalho” as quais os empregados são submetidos em diferentes centros de distribuição da Amazon.

No entanto, a Amazon acredita que a convocação do boicote não deve afetar a lucratividade da empresa nesses dois dias. A companhia deve lucrar US$ 5,8 bilhões (mais de R$ 21 bilhões), segundo estimativas da consultoria Coresight Research. De acordo com a consultoria, a data movimentou US$ 3,9 bilhões (mais de R$ 14 bilhões) em 2018.

Fontes:
Quartz-Amazon warehouse workers around the world are striking for Prime Day
Exame-Amazon deve faturar mais de R$20 bi no feriado que criou para si
CNN-Amazon workers go on strike in Germany as Prime Day begins

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