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Investimento errado

Hidrelétricas gigantes não trazem o retorno esperado, diz estudo

Segundo pesquisadores da Universidade de Oxford, benefícios de construir uma grande usina hidrelétrica não superam os custos e podem causar prejuízos para a economia

Hidrelétricas gigantes não trazem o retorno esperado, diz estudo
Duas em cada dez usinas hidrelétricas gastam ao menos o dobro do orçamento inicial (Reprodução/Reuters)

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Estudos preveem que do ano 2010 até 2035, a demanda mundial por energia saltará de 5,2 terawatts para 9,3 terawatts, quase quatro vezes maior que a atual capacidade de geração de energia dos EUA. Visando suprir essa demanda, países emergentes estão construindo enormes usinas hidrelétricas, como Belo Monte, no Brasil, Diamer-Bhasha, no Paquistão e a usina do rio Jinsha, na China.

Porém, um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Oxford, Grã-Bretanha, revelou que investir em grandes usinas hidrelétricas não traz o retorno esperado. Durante o estudo, foram analisados dados das maiores usinas hidrelétricas construídas entre 1934 e 2007. O estudo foi publicado no jornal especializado Energy Policy.

Primeiro, os pesquisadores descobriram que, além de ser um investimento caro, duas em cada dez usinas hidrelétricas gastam ao menos o dobro do orçamento inicial. Uma em cada dez, gasta o triplo.

Os construtores de usinas costumam afirmar que os benefícios superam os custos, mas o estudo desconstruiu essa tese oferecendo alguns exemplos. No Brasil, a usina de Itumbiara foi construída em um local de condições geográficas desfavoráveis. Solucionar esse problema custou 96% do orçamento previsto para a construção da usina. No Paquistão, o orçamento  da usina de Tarbela sofreu com o aumento da inflação. Ao final dos 16 anos que levou para ser construída, a usina gastou quatro vezes mais do que o previsto inicialmente.

Outro problema para investir na construção de usinas é a necessidade de empréstimo estrangeiro. A construção de Tarbela aumentou a dívida externa do Paquistão em 23%.

Segundo os pesquisadores, pessoas por trás desses grandes projetos costumam apresentar uma visão muito otimista do empreendimento, especialmente quando ainda estão tentando vender a ideia para a população. Para os pesquisadores, seria melhor investir em projetos menores, mais baratos e que não levam anos para serem concluídos nem precisam de um orçamento bilionário.

Fontes:
Quartz-t’s practically impossible to build a mega-dam that will return its investment

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