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Japão se rende à indústria do software

Antes desprezados, softwares vão pouco a pocuo crescendo dentro do mercado japonês

Japão se rende à indústria do software
Crescimento das pequenas empresas de software ameaça gigantes japoneses da eletrônica

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“Um samurai nunca escreveria softwares!” bradou um executivo sênior de uma das mais empresas eletrônicas do Japão durante uma festa. Sua visão é amplamente compartilhada no Japão. Monozukuri (manufatura) é coisa de macho. Das espadas forjadas na Era Feudal às máquinas e microchips fabricados hoje em dia, homens de verdade sem esforçam para produzir as coisas que você vê diariamente. Serviços são para os fracos.

Mas assim como o corte de cabelo dos samurais, essa atitude parece cada vez mais fora de moda. A criação de softwares é um negócio crescente no Japão. As grandes empresas de eletrônicos do país estão se expandindo no setor, e mesmo companhias estrangeiras estão buscando talentos da programação em solo japonês.  

Empresas de software tradicionalmente têm lucros maiores que as de hardware. As melhores do ramo atingem 30% de lucro com facilidade, enquanto as empresas de eletrônicos lutam para chegar aos 5%. O negócio de softwares precisa de menos pessoas e menos capital; ideal para um país com uma população em declínio e bancos pouco generosos. Empregos no setor de eletrônicos são escassos, e o trabalho pode se tornar enfadonho. Não é uma surpresa, portanto, que os jovens engenheiros criativos do Japão estejam entrando em contato com sua fraqueza interior.   

O Japão há muito tempo produz populares softwares de videogames. No entanto, seus fabricantes de computadores fizeram pouco para gerar negócios independentes de software. Pelo contrário, ao incluí-los gratuitamente nas máquinas, eles disseram aos consumidores que os softwares não tinham valor, diz Kazuyuki Motohashi, da Universidade de Tóquio. Eles também aprisionavam os consumidores, tornando uma possível troca para um produto rival custosa e cansativa.

O resultado é que a indústria japonesa do software e pouco desenvolvida. Desde 2008 empresas japonesas perderam 20% de seu valor de mercado, mesmo em um período no qual tiveram um aumento de 15% no resto do mundo. Na relação entre os gastos com software e o PIB, o Japão ocupa a 35ª posição, como níveis próximos dos da Arábia Saudita.

Códigos japoneses tendem a ser inferiores, diz William Saito, um empresário que vendeu sua companhia de software à Microsoft. Isso acontece porque a programação reflete as deficiências da cultura japonesa de negócios: eles são escritos de uma forma hierárquica que dificulta o trabalho de pessoas de fora, diferentemente do que acontece nos Estados Unidos e na Europa.

A virada para o software

Um processo de transição está acontecendo, no entanto. Empresas como a Rakuten, de vendas online, e a DeNA, uma fabricante de jogos para celulares atingiram reconhecimento global, assim como a Trend Micro, uma grande empresa de softwares de segurança. Empresas menores, como a Cybozu, que fabrica softwares de colaboração, também estão prosperando. E o Japão se juntou ao grupo das patentes internacionais de software, abaixo apenas dos Estados Unidos (veja o gráfico abaixo).

Um exemplo dessa mudança é o Ruby, uma linguagem de programação criada por Yukihiro Matsumoto que permeia grandes websites como o Twitter e o Groupon, e conta com 1 milhão de usuários ao redor do mundo. Marc Benioff, da Salesforce.com, Vê oportunidades por toda parte no Japão. No ano passado, sua companhia adquiriu a Heroku, que produz serviços de web, e adquiriu ações da Synergy Marketing, da Uhuru e da Netyear, três firmas de softwares de negócios.

Velhas companhias de hardware também querem uma fatia do sashimi, e a maioria tem voltado seus olhares para o exterior. No dia 1º de julho, a NTT, principal operadores de telecomunicações do Japão, declarou que irá adquirir a OpSource, uma empresa de softwares da Califórnia. A Hitachi e a Toshiba também buscam empresas de software. Dois terços da receita, e quase 100% dos lucros da Fujitsu, uma grande empresa de softwares, vêm de softwares e serviços.

Por enquanto, o hardware ainda comanda o mercado. Jornais comemoraram quando a Riken e a Fujitsu revelaram o supercomputador mais rápido do planeta, em junho. Mas a mudança é inevitável, diz Fujiyo Ishiguro, fundador da Netyear, uma empresa de softwares de marketing online. Os fracos japoneses são mais durões do que parecem.

Fontes:
The Economist - "Samurai Go Soft"

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