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Mulheres avançam no mercado de trabalho com ganhos reais maiores

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Ana Silvia Corso Matte, nova diretora de Gente da Light, é uma daquelas exceções que confirmam as regras. Única mulher entre os oito diretores da empresa, ela é como a maioria das brasileiras que, na última década, galgou espaço no mercado de trabalho ainda predominantemente masculino, com qualidade crescente no tipo de atividade exercida e remuneração cada vez maior, revela a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2005, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da retração geral do nível de ocupação no Brasil, de 57,6% em 1995 para 56,8% em 2005, as mulheres deram a volta por cima. Segundo a PNAD, elas eram 44,6% do total de pessoas ocupadas em 1995, foram atingidas pela crise do mercado de trabalho, mas voltaram a conquistar espaços em 1999 e terminaram a década representando 46,4% do total das pessoas ocupadas. Embora a remuneração delas continue sendo muito abaixo dos ganhos auferidos pelos homens, a distância diminuiu em conseqüência do maior avanço no rendimento real médio mensal feminino, de 6,3%, quase o dobro do obtido por eles, de 3,9%.

Desde 1981, antes da primeira grande crise econômica ocorrida em 1983, houve uma queda generalizada dos rendimentos do trabalho e nós ainda nem voltamos ao patamar de 1989. Muito menos de 81. Mas o interessante é que a recuperação das mulheres se faz muito mais aceleradamente do que para os homens, observa a professora do Instituto de Economia da Universidade federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lena Lavinas.

A PNAD também mostra que o perfil de trabalho feminino é cada vez mais urbano. Em dez anos, a participação delas na agricultura despencou de 22,4% para 15,4%. Mesmo nos serviços domésticos, em que elas eram 17,2% e passaram a 17,1%, há tendência de recuo. Onde a presença feminina mais se expandiu, para 55%, foi nas atividades de serviços, que já era a mais expressiva em 1995 (51,5%). Elas também ganharam espaço nas atividades de comércio e reparação, de 13% para 16,4%, e até na indústria, de 12,6% para 12,8%.

Melhorou também a distribuição da renda do trabalho entre homens e mulheres, apesar de ainda existir grande distância entre eles. Em média, elas ganhavam o equivalente a 69,5% dos rendimentos auferidos por eles em 1995 e passaram a 71,2% em 2005. Esta defasagem é diferenciada. Na categoria de empregados, elas chegaram a ganhar 89,8% do que recebem os homens. Na de empregadores, 77,7%, na de trabalhadores domésticos, 74,3%, e por conta própria, de 66,4%.

BNDES mostra que elas conquistam empregos mais qualificados

A maior participação feminina decorrente de uma necessidade de complementação de renda familiar continua relevante, analisa o economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Antonio Marcos Ambrozio, autor do estudo Mulheres conquistam mercado mas ganham menos. Segundo ele, a participação feminina aumenta principalmente nos empregos mais qualificados. Elas estão se educando mais (aumentando participação no estágio de preparação para o mercado de trabalho), o que sugere uma busca por maior autonomia.

O economista do BNDES mostra em seu estudo que a defasagem entre os ganhos auferidos por homens e mulheres é resultado do menor acesso delas a posições mais bem remuneradas, como os cargos de chefia. O problema é efetivamente de acesso, opina ele. Existem cargos de decisão, em diferentes níveis, em que os homens ocupam majoritariamente os mais importantes. Desagregando por setores da economia, como indústria, construção, comércio, serviços, agropecuária e administração pública, com exceção do último, o acesso das mulheres a posições de dirigentes não chega a 30% em nenhum dos casos, acrescenta.

Executiva diz que DNA feminino ajuda, mas é preciso apresentar resultados

A diretora de Gente da Light, acha que as competências encontradas mais no DNA feminino do que no masculino, como emotividade, intuição, franqueza, solidariedade, um mínimo de postura política, transparência, vêm sendo valorizadas nos ambientes corporativos, que precisam ser urgentemente humanizados. Segundo ela, a área de recursos humanos é indiscutivelmente, a que tem aberto espaço às mulheres para posições de diretoria nas últimas duas décadas, tanto no Brasil quanto nos demais países.

Ana Silvia foi diretora de Recursos Humanos da CSN e diretora executiva do grupo Sendas antes de ir cuidar de gente na Light. Segundo ela, além de fatores subjetivos como empatia, intuição e um pouco de sorte, para se manter num cargo elevado e predominantemente masculino é preciso ser ágil na conquista dos resultados desejados pela empresa.

Acho que isto conta cada vez mais no critério de escolha de qualquer organização em busca de um executivo, seja homem ou mulher, onde as carreiras tendem a ser mais curtas do que antigamente, quando um executivo ficava 15, 20 anos em uma mesma organização, e, portanto, tinha tempo para mostrar seus resultados, diz ela.

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13 Opiniões

  1. Benedito Lacerda disse:

    Como acabamos de ver no caso da HP, mulher em empresa não dá certo. Já que vocês têm mania de lançar debates, vai aqui uma sugestão de um tema: “lugar de mulher é em casa, na cozinha e cuidando dos filhos”.

  2. edson dias santos disse:

    Sou da opinião que lugar de mulher é qualquer lugar, na fábrica, no comércio, na lavoura, no 3ºsetor, nas artes,etc. Seu trabalho tem que ser remunenado tanto quanto ao do homem.
    minha mãe era tecelã, se ganhasse igual a um tecelão, nós que erámos bem pobres, teriamos mais comida na mesa.

  3. Israel disse:

    A mulher é a principal responsável pelo sustento da família nas classes mais baixas.

    Os pais somem, fazem outras famílias e são presos.

    É um absurdo elas ganharem menos!

    Qual é a explicação para isso?

  4. Marcelo de Matos Guerra disse:

    Esse negócio de dizer que a mulher é a coitadinha da sociedade soa falso. A mulher bonita, por exemplo, leva sempre a melhor. Se for uma “garota de Ipanema”, não será demitida no programa do Roberto Justus. Pelo contrário, poderá tornar-se sócia da empresa. Se alguém quiser ver como as mulheres bonitas, em geral, estão bem de vida, é só visitar um shopping classe A – cada carrão chega dirigido por um avião. A mulher já goza de muita proteção legal. Por exemplo, podem aposentar com 30 anos de trabalho, enquanto o homem tem de trabalhar 35. E a mulher só não prospera profissionalmente se não tiver interesse. Os empresários inteligentes, e acho que são a maioria, não se importam se o funcionário é branco, preto, amarelo, vermelho, mestiço, homem ou mulher. Só querem saber se ele pode trazer benefícios para a empresa.

  5. Bras Cubas disse:

    Prezado Israel
    A explicação é a sociedade machista, só isso…

  6. Ascânio Pinto disse:

    Será o Benedito?!

    Acho que já vi esse leitor Benedito nestas páginas antes, sempre com idéias retrógadas. Não entendo porque vocês publicam cartas como essa. Opiniões que deviam ter morrido no século 19.

  7. Da redação disse:

    Informamos ao leitor Ascânio, e a todos em geral, que publicamos todas as opiniões recebidas, desde que: 1. Escritas em português razoável. 2. Não contenham linguagem chula. 3. Não contenham agressões ou ofensas pessoais.

    *** Assim, por mais que discordemos das opiniões do leitor Benedito, continuaremos a publicá-las, esperando que mais leitores se manifestem.

  8. anne suellen s.de figueiredo disse:

    Tenho 20 anos e pela primeira vez tive a imensa felicidade de ler sobre o avanco da mulher com relacao a valores no mercado de trabalho..
    Apesar de hoje ser uma excecao , esse fato grandioso ja pode sim ser considerada como real.
    Creio piamente que essa realidade é apenas o comeco. O melhor ainda estar por vir e o valor dessas “GUERREIRAS” será muito embreve reconhecido como deve.

    Um forte ABRACO,

  9. JOSE ANTONIO COSTA disse:

    Acho realmente a Ana Silvia é um diferencial pelo seu estilo forte e objetivo. Tem tudo para brilhar mais uma vez. Tive o prazer de trabalhar com Ela aqui no Sul.
    Como executivo de RH lamento não termos mais pessoas com este perfil nas organizações. Parabéns pela nova posição alcançada!

  10. Vilma Pazzetto disse:

    Em duas ocasiões distintas, tive o privilégio de trabalhar com a Ana Sílvia e aprendi muito. Exemplo em ética, verdade, profissionalismo e determinação. Mulheres, as oportunidades existem. Conquistem-nas.

  11. lhorrane nunes medeiros costa disse:

    na minha poniao mulher tem quetrabalhar sim pois DEUS nos criou com os mesmos direitos

  12. Ilka Gomes disse:

    Conteúdo bastante interessante, relata que as mulheres têm avançado a cada ano, rumo a sua total dependência do mundo masculino. As mulheres têm destacado-se no mercado de trabalho, mostrando que não só de forno e fogão elas sabem, mas sabem atuar nas áreas que eram só restritas aos homens. Mesmos tendo discriminações em alguns setores, mas isso tem ocorrido para que elas possam avançar diante dos desafios.

  13. Ilka Gomes disse:

    Conteúdo bastante interessante, relata que as mulheres têm avançado a cada ano, rumo a sua total dependência do mundo masculino. As mulheres têm destacado-se no mercado de trabalho, mostrando que não só de forno e fogão elas sabem, mas sabem atuar nas áreas que eram só restritas aos homens. Mesmos tendo discriminações em alguns setores, mas isso tem ocorrido para que elas possam avançar diante dos desafios.

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