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Nissan vai cortar 12,5 mil postos de trabalho no mundo

Um dos principais motivos para o corte em massa foi a brusca queda nas receitas da companhia

Nissan vai cortar 12,5 mil postos de trabalho no mundo
O corte representa quase 10% da força total de trabalho da montadora (Foto: Divulgação/Nissan)

A montadora japonesa Nissan vai demitir 12,5 mil empregados em todo o mundo até 2022. O anúncio foi dado nesta quinta-feira, 25, através de um comunicado.

O corte representa quase 10% da força total de trabalho da montadora, que conta com 139 mil funcionários em escala global. Os locais onde a força de trabalho será reduzida não foram especificados.

Um dos principais motivos para o corte em massa foi a brusca queda nas receitas da companhia. Em relação ao lucro líquido, foi registrada uma queda de 94,5% no trimestre finalizado em junho de 2019, em comparação com o mesmo período em 2018.

No ano passado, o lucro foi de 115,8 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 1 bilhão), enquanto, em 2019, as cifras só alcançaram 6,4 bilhões de ienes (cerca de US$ 59 milhões).

As receitas, por sua vez, caíram 12,7% no mesmo período. Em 2018, as cifras alcançaram 2,71 trilhões de ienes. Já em 2019, o valor alcançado foi de 2,37 trilhões de ienes. As vendas globais da marca caíram 6%, alcançando 1,23 milhão de unidades comercializadas.

A Nissan está sendo afetada, nos últimos anos, por diferentes escândalos, que vão desde fraudes nos testes de emissão de poluentes, até a prisão do franco-brasileiro Carlos Ghosn, agora ex-CEO da montadora. Para o atual CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, Ghosn foi um dos principais culpados para a crise que a companhia atravessa.

Isso porque o ex-CEO teria adotado uma estratégia agressiva desde que assumiu o cargo, em 2011, para aumentar as vendas globais da montadora. As medidas, porém, incluíam a promoção de descontos na venda de veículos, visando empresas de aluguéis de carros, principalmente nos Estados Unidos, o maior mercado da Nissan.

Indústria automobilística

Apesar do alto número de cortes de postos de trabalho revelado pela Nissan, a japonesa não é a única companhia do setor automotivo que passa por dificuldades. No fim de junho, a Ford anunciou que demitiria 12 mil pessoas na Europa até 2020. Os cortes já começaram.

Outras montadoras já anunciaram mudanças na forma de atuação, principalmente na Europa, que enfrenta a incerteza do Brexit – o processo de separação do Reino Unido da União Europeia. A Honda vai encerrar as atividades no Reino Unido até 2021, colocando em risco 3,5 mil empregos.

A Jaguar Land Rover, por sua vez, já anunciou a demissão de 4,5 mil funcionários. A Toyota, por enquanto, observa todo o cenário europeu, mas já admitiu que também pode deixar o Reino Unido se “o ambiente para os negócios ficar muito difícil”. Já a General Motors demitiu 4 mil funcionários na América do Norte em fevereiro deste ano.

Dois fatores podem ilustrar a crise no setor automotivo. O primeiro, e mais imediato, é a desaceleração na venda de veículos ao redor do mundo, assim como o crescimento da indústria de carros elétricos. O desenvolvimento das novas tecnologias tem ameaçado o domínio das companhias tradicionais, alavancado por aplicativos como a Uber e Cabify.

O segundo motivo, que envolve diretamente o número de funcionários nas indústrias, é a automação no setor. A utilização de robôs aumentou em fábricas de diferentes segmentos, mas no automotivo o crescimento foi maior. Na França, que lidera a automação no setor, existem 148 robôs para cada mil empregados. Nos Estados Unidos, o número é de 136 robôs para cada mil empregados. Já na Alemanha, que ocupa o terceiro lugar no ranking, são 120 robôs para cada mil funcionários.

Fontes:
The New York Times-Nissan Will Cut 12,500 Jobs, and Its Chief Hints at Leaving
The Guardian-Nissan to axe 12,500 jobs worldwide but Sunderland appears safe

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