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Os negócios impregnados no sangue

As empresas administradas pelas famílias que as fundaram surpreendem pela importância e resistência no mundo dos negócios

Os negócios impregnados no sangue
Algumas das maiores multinacionais são administradas por descendentes das famílias fundadoras (Reprodução/Internet)

Os herdeiros do “Lucky Sperm Club”, como Warren Buffett gosta de chamá-los, ainda controlam com sucesso seus negócios nos Estados Unidos. Há pouco tempo, do outro lado do Atlântico, Ana Botín e Abigail Johnson assumiram dois cargos importantes na área financeira após a morte dos pais, respectivamente, o comando do Banco Santander e de executivo-chefe do Fidelity Investments.

Algumas das maiores empresas multinacionais, como Walmart, Mars, Samsung e BMW ainda são administradas com sucesso pelas novas gerações de seus fundadores. Em meados do século passado, muitos especialistas em gestão de negócios decretaram a morte ou falência das empresas familiares, devido à competição com empresas públicas e privadas em atrair capital e contratar profissionais competentes. Mas, ao contrário das previsões, as empresas familiares aumentaram sua forte presença no cenário empresarial no mundo inteiro.

As empresas familiares representam 19% das 500 maiores companhias listadas na revista Fortune, mais de 15% em 2005, segundo a pesquisa recente da empresa de consultoria McKinsey. O relatório da McKinsey prevê que essa tendência de crescimento continuará. Essa expansão e consolidação das empresas familiares são resultado, em grande parte, do rápido crescimento das economias em desenvolvimento, onde as empresas familiares predominam, a exemplo do Brasil, China, Rússia, Coreia do Sul e República da China citadas na revista Fortune

Mas a transição de gerações é extremamente problemática. Na Índia, uma briga épica começou em 2002 após a morte de Dhirubhai Ambani, o fundador da Reliance Industries, que morreu sem designar um herdeiro. A batalha entre os filhos, Mukesh e Anil, por fim dividiu o grupo em dois.

Em alguns casos mesmo empresas familiares fortes e bem-sucedidas podem implodir logo depois de trocas de gerações. Uma pesquisa da empresa Edelman de relações públicas revelou que a confiança do público em empresas familiares diminui, assim que o bastão passa do fundador para a geração seguinte. Um estudo feito em 2.400 empresas familiares em quarenta países publicado em outubro pela PwC, uma empresa de consultoria, mostrou que só 16% dessas empresas têm um plano “discutido e documentado” de sucessão familiar.

O processo sucessório nas grandes empresas familiares de mercados emergentes enfrenta, assim como nas empresas de países ricos, o desafio de reconcilias os interesses da família com a administração de um negócio bem-sucedido. Como Michael Corleone disse Em o poderoso chefão, um estudo magnífico de uma empresa familiar, “Os assuntos de negócios são estritamente profissionais”.

 

Fontes:
The Economist-Business in the blood

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