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Corrida do ouro

Os perigos da mineração ilegal na América Latina

Garimpeiros no mercado informal enfrentam deslizamentos, criminosos e o risco de doenças graves

Os perigos da mineração ilegal na América Latina
Os riscos da mineração ilegal são enormes (Reprodução/AP)

Na América Latina a mineração informal não é necessariamente ilegal, mas os garimpeiros correm grandes riscos. No mês passado, um deslizamento de terra na cidade de Bonanza, no nordeste da Nicarágua, prendeu 29 mineiros no interior de uma mina.

Sete ainda permaneciam desaparecidos quando as equipes de resgate abandonaram as buscas. Doze garimpeiros morreram na Colômbia em maio depois de um deslizamento de terra em uma mina de ouro ilegal. Em julho, oito morreram em Honduras.

O ouro não é a única commodity que atrai garimpeiros sem licença, mas ele tem um apelo particular. Seu preço mais do que dobrou entre 2008 e 2011. Em Madre de Dios, uma região de selva no sudeste do Peru onde 97% da produção de ouro local veio de mineração ilegal em 2011, os mineiros chegam a receber US$ 75 por dia, até cinco vezes mais do que ganhariam como lavradores.

Na Colômbia, nove em cada dez minas de ouro operam sem licença. Baixos custos para se iniciar um garimpo significam que os mineiros podem trabalhar em grupos muito pequenos. O mercúrio, que é tipicamente usado para separar o ouro do minério, é barato e acessível.

Não são só os garimpos informais que enfrentam perigos. Na Colômbia, grupos armados forçaram sua entrada no negócio da mineração legal, usando a violência para resolver litígios. Em 2013 Daniel Mejía, um economista da Universidade de Los Andes, em Bogotá, constatou que as operações de mineração ilegais na Colômbia tiveram um “impacto positivo e significativo” na taxa de homicídios das cidades próximas.

Os grupos indígenas são muitas vezes os mais prejudicados. Em 2012, até 80 ianomâmis foram mortos após garimpeiros tentarem expulsá-los de suas terras na Venezuela. Frustrados pela falta de ação do governo federal, membros da tribo munduruku, no Pará, estão expulsando garimpeiros do seu território por conta própria.

O impacto ambiental dos garimpos pode ser devastador também. No ano passado uma equipe de pesquisadores do Carnegie Institution for Science realizou uma pesquisa em Madre de Dios usando uma combinação de satélites, aviões e pesquisadores no solo.

“Nós ficamos chocados”, disse Greg Asner, líder do projeto. “Estamos todos acostumados ao desmatamento como um problema sério.Mas esta é a remoção completa do ecossistema até a camada de solo. Parece uma paisagem lunar.”

Ao analisar amostras de cabelo dos habitantes de Madre de Dios, um outro estudo da Carnegie descobriu que 78% deles tinham três vezes a concentração normal de mercúrio em seus corpos. Alguns apresentavam taxas mais de 27 vezes acima do limite internacional.

Fontes:
The Economist-Minecraft

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