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TESTES DE EMISSÕES

Nissan é mais uma montadora a admitir fraude

Montadora japonesa admitiu nesta segunda-feira, 9, que fraudou testes de emissões de poluentes na maioria de suas fábricas no Japão

Nissan é mais uma montadora a admitir fraude
Trata-se de mais um escândalo envolvendo fraudes por parte de montadoras (Foto: Variodical/Flickr)

A Nissan Motor admitiu nesta segunda-feira, 9, que fraudou testes de emissões de poluentes na maioria de suas fábricas no Japão. A medição indevida de poluição e de combustível ocorreu em 19 modelos da montadora.

Segundo a Nissan, que não informou quantos veículos foram afetados pela fraude, foram descobertas falsificações nos testes de emissões de poluentes e de economia de combustível. Ademais, relatórios com os dados teriam sido alterados. O incidente fez com que as ações da montadora caíssem 4,5% nesta segunda-feira.

Segundo a Reuters, dos aproximadamente 2,2 mil testes de amostras feitos em seis fábricas da montadora japonesa, 1,2 mil experimentos em cinco locais diferentes mostraram algum tipo de falsificação. No entanto, nenhum recall é necessário, pois não compromete a segurança dos veículos.

O ocorrido tem potencial de afetar a confiança na marca. A Nissan tem a confiança da população no Japão, tanto que o modelo Nissan Note liderou o ranking de vendas de carros no primeiro semestre de 2018 no país.

É o segundo escândalo que a Nissan se envolve em menos de um ano. Em outubro de 2017, a montadora chegou a suspender a produção de veículos no Japão para resolver problemas no processo de inspeção. Isso fez com que a empresa convocasse um recall de todos os 1,2 milhão de carros vendidos nos últimos três anos em todo o território japonês.

Na época, a empresa admitiu que técnicos não autorizados estavam fazendo verificações finais de veículos, o que viola as diretrizes do Ministério dos Transportes do país. As investigações devido ao incidente de 2017 levaram a montadora a revelar as novas informações.

Crise na indústria automobilística

Este é apenas mais um dos escândalos recentes envolvendo a indústria automobilística ao redor do mundo. A japonesa Subaru Corporation admitiu, em abril deste ano, uma fraude semelhante a da Nissan em seus testes.

Em janeiro de 2017, o grupo Fiat Chrysler foi acusado de ter manipulado motores de mais de 100 mil veículos movidos a diesel para minimizar os níveis de poluentes, em um escândalo bem semelhante ao Dieselgate.

O escândalo Dieselgate – um dos maiores da indústria – ganhou os noticiários em setembro de 2015, quando o presidente do conselho executivo da Volkswagen Martin Winterkorn admitiu que a montadora alemã criou um dispositivo para burlar os testes de poluição em 11 milhões de veículos a diesel vendidos em vários países do mundo.

A Volkswagen instalou em seus modelos um dispositivo que detecta quando o carro está sendo inspecionado e ajusta o nível de poluentes emitidos pelo motor aos padrões exigidos, o que não ocorre quando os carros estão em situações normais. Logo, os veículos poluíam mais do que os dados divulgados pela montadora.

A Kobe Steel Ltd, apesar de não ser diretamente da indústria automobilística, admitiu ter fornecido produtos com especificações falsificadas para 500 clientes, entre fabricantes de carros, aviões e trens em todo o mundo.

 

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Fontes:
BBC-Nissan admits falsifying emissions tests in Japan
Folha de São Paulo-Nissan admite manipulação em testes de poluição de veículos fabricados no Japão

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