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Transferência de renda

O Bolsa Família que funciona

Estudo da MIT identifica um método universal e eficaz para ajudar os mais pobres

O Bolsa Família que funciona
Beneficiária do 'programa de graduação' da ONG Brac, em Bangladesh (Foto: USAID/Flickr)

Um novo relatório assinado pelos economistas Abhijit Banerjee e Esther Duflo, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, afirma ter identificado uma estratégia anti-pobreza que realmente funciona a longo prazo. Segundo os economistas, a eficácia do método foi comprovada por um estudo realizado em seis países, por sete anos, com mais de 10 mil famílias pobres.

O segredo da estratégia é oferecer aos beneficiários algum ativo, seguido de vários meses de transferência de renda, seguidos por até dois anos de treinamento profissional e incentivo. Essa fórmula parece ter feito uma diferença duradoura na vida dos mais pobres em países dos mais diversos, como Gana, Paquistão e Peru.

O BRAC, uma grande ONG de Bangladesh que originalmente testou essa abordagem para combater a pobreza extrema naquele país, chama sua iniciativa de “programa de graduação”. Tendo em conta os muitos desafios enfrentados pelos mais pobres, a lógica do programa é que seria inútil aplicar um esparadrapo em um problema, deixando os outros apodrecerem. Várias ONGs, incluindo a Heifer International, a Oxfam e a World Vision, por exemplo, doam vacas, cabras ou galinhas a pessoas pobres em países em desenvolvimento para que eles possam ter uma fonte de renda com a venda de leite ou ovos. Mas e se os destinatários estiverem com tanta fome que eles acabam comendo seu ganha-pão?

Dando o peixe e ensinando a pescar

A ideia do BRAC é dar àqueles no programa de graduação não apenas galinhas, mas também informação sobre como mantê-las, apoio financeiro temporário para ajudá-los a resistir à tentação inevitável de comê-las e repetidas visitas de funcionários do programa para reforçar o treinamento e  estimular os participantes.

Os economistas do MIT estudaram esquemas que seguem essa fórmula, administrados por ONGs locais na Etiópia, Gana, Honduras, Índia, Paquistão e Peru. Todos os programas eram direcionados aos muito pobres: 73% dos participantes na Índia e 66% na Etiópia viviam com menos de US $ 1,25 por dia.

Em todos os seis países, os beneficiários podiam escolher um ativo, tipicamente gado, que recebiam gratuitamente apenas uma vez. Além disso, eles recebiam dinheiro suficiente para comprar um quilo de arroz por dia durante um ano. Recebiam treinamento também, e não apenas sobre como explorar seu ativo escolhido, mas em manter-se saudável. Por último, a ONG fornecia uma forma segura para poupar dinheiro e incentivava os participantes a fazê-lo. Embora alguns detalhes, como o tipo de gado que as pessoas recebiam, ou a ênfase colocada em poupar dinheiro, variasse de país para país, o cerne de todos os seis programas era o mesmo.

Conclusão do estudo

Os resultados são promissores. No final do programa de dois anos, o consumo mensal de comida dos participantes cresceu cerca de 5%, na comparação com um grupo de controle. Renda por domicílio também cresceu, e menos pessoas relataram ter passado fome. O valor dos ativos dos participantes aumentou 15%, o que sugere que eles não melhoraram suas dietas comendo as galinhas. Ao invés disso, cada pessoa no programa estava dedicando, em média, 17,5 minutos a mais por dia ao trabalho.

Talvez o mais importante, quando os pesquisadores voltaram aos domicílios pesquisados um ano após o programa terminar, eles descobriram que as pessoas ainda estavam trabalhando, ganhando e comendo mais.

 

Fontes:
The Economist - Graduating from destitution

1 Opinião

  1. Véi disse:

    Esse programa não funcionaria no Brasil, e vou explicar:
    1. Seria muito difícil encontrar candidatos que se sujeitassem ao trabalho que esse animais proporcionam;
    2. Os animais adquiridos para entrega aos contemplados no programa, seriam superfaturados, com notas frias e sonegação total de tributos;
    3. Ao receberem os animais, imediatamente seria trocados por uma moto;
    4. O governo não teria controle da quantidade de animais entregues e para quem foi, logo haveria candidatos recebendo mais de uma vez;
    5. O MST se recusaria a receber, e faria protestos, pois é inadmissível receber os animais antes de receber a terra!

    Tô achando que tá na hora de admitir: Este paizinho não tem mais jeito!

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