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O crescimento da produção de gás de xisto nos EUA

O aumento dos preços do petróleo nos últimos meses levou a uma retomada da produção do gás de xisto nos EUA depois de três anos de queda de preços

O crescimento da produção de gás de xisto nos EUA
(Fonte: Reprodução/Getty Images)

Há um ano, Harold Hamm, CEO da Continental Resources, uma das maiores produtoras de gás de xisto nos Estados Unidos, fez uma advertência aos demais produtores. Explorem as reservas com moderação ou iremos “matar o mercado”, disse. Neste mês, Hamm, de 72 anos, filho de um meeiro de uma plantação de algodão em Oklahoma, que se tornou um dos pioneiros na produção de gás de xisto, emitiu uma opinião diferente. A moderação está funcionando.

A cotação do West Texas Intermediate (WTI), o petróleo bruto leve e adocicado, que é usado como referência de preço nos Estados Unidos, subiu para US$ 71 por barril em 9 de maio, o maior nível desde novembro de 2014.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que certa vez Hamm chamou de “tigre sem dentes”, tem mantido o equilíbrio da produção de petróleo no mercado mundial. Os preços do barril de petróleo aumentaram em razão, em parte, da saída dos EUA do acordo nuclear com o Irã e a ameaça do presidente Donald Trump de impor sanções econômicas ao governo iraniano e às empresas que fazem negócios com o Irã.

Além disso, a queda na produção de petróleo na Venezuela pode ser ainda mais acentuada devido à intenção da ConocoPhillips, uma grande produtora americana, de congelar alguns ativos no Caribe da companhia estatal de petróleo venezuelana, PDVSA, por causa de uma longa disputa judicial.

Apesar da previsão de analistas e de Hamm, o aumento do preço do petróleo não provocou uma oferta maior de gás de xisto. Essa previsão baseara-se em três fatores. Pressão dos acionistas mais interessados ​​em receber um fluxo constante de dividendos do que no aumento da produção; problemas na distribuição de petróleo nos oleodutos e nos portos dos EUA; e a rápida diminuição das reservas de gás de xisto.

Porém, com o aumento dos lucros dos produtores e do retorno do capital dos investidores, será difícil conter a oferta de gás de xisto. Segundo Bobby Tudor, do banco de investimento Tudor Pickering Holt, o impacto do aumento da oferta será sentido em todos os mercados globais de petróleo.

Há dez anos, a Continental Resources fundada por Hamm quando tinha 21 anos, extraía apenas 7 mil barris por dia em Bakken, uma formação geológica de 23 km2 em Dakota do Norte e Montana, por meio do fraturamento hidráulico e da perfuração horizontal. A produção do último trimestre atingiu 161 mil barris por dia.

Em 2014, a Continental sofreu um duro golpe quando Hamm aumentou a produção ao acreditar que a queda dos preços do petróleo se estabilizaria. Mais uma vez Hamm resolveu correr o risco de aumentar a produção, porém agora ele está se beneficiando mais com o aumento do preço do petróleo do que os produtores avessos a situações de risco.

Ao contrário de muitos produtores, Hamm limitou a extração de gás de xisto à jazida de Bakken e aos depósitos de xisto em Oklahoma, em vez de explorar as reservas na bacia de Permian, no oeste do Texas e no Novo México. A produção da Continental cresceu 48% no primeiro trimestre de 2018, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Para tranquilidade dos acionistas e credores, o crescimento da produção de gás de xisto estabilizou as finanças corporativas do setor. Algumas empresas, como a Pioneer Natural Resources, a Devon Energy e a Anadarko, estão pagando dividendos maiores aos acionistas e adotaram o programa de recompra das ações. A Continental, que planeja gerar uma receita de US$ 1 bilhão este ano, está priorizando o pagamento de dívidas e já se aproximou de sua meta de ter uma dívida líquida inferior a US$ 6 bilhões.

No entanto, apesar dessa disciplina de gastos, os novos projetos ambiciosos se multiplicam. A Continental irá investir no Project SpringBoard de perfuração de 350 poços em Oklahoma. A Devon Energy aumentou a exploração de poços na bacia do rio Delaware em Permian.

Os executivos da Pioneer, a produtora mais bem-sucedida da bacia de Permian, entusiasmam-se ao falar do Permian 3.0, um novo tipo de tecnologia de perfuração de poços, que produzirá um terço a mais de gás de xisto do que os poços anteriores. A Parsley Energy, uma pequena produtora, extraiu mais xisto na bacia de Delaware no primeiro trimestre de 2018 do que durante todo o ano de 2017. Sua produção média cresceu 57%.

As empresas garantem que estão focadas apenas em projetos de alto retorno; que a disciplina de gastos será mantida; e que o objetivo é o retorno do capital. Mas se os preços do petróleo continuarem a subir será difícil controlar o impulso de aumentar ainda mais a produção.

Fontes:
The Economist - American shale-oil producers are on a roll

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2 Opiniões

  1. Sidnei disse:

    Os beneficios econômicos do fraturamento hidráulico nao compensam com os danos irreversíveis que causam para o meio ambiente e a população.

  2. Edson disse:

    O Brasil possui reservas de xisto que deverá ser explorada, mas sempre respeitando o meio ambiente.

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