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O custo social e econômico de sediar eventos como Copa e Olimpíadas

O bem-estar social e econômico de uma cidade pode ser afetado ao sediar as Olimpíadas e a Copa do Mundo

O custo social e econômico de sediar eventos como Copa e Olimpíadas
Autoridades governamentais prudentes deveriam evitar a realização dessas competições a qualquer custo (Reprodução/Reuters)

Existem poucas músicas tão sedutoras aos ouvidos das autoridades públicas no mundo inteiro do que os sons encantadores dos emissários do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Fifa, a instituição internacional que dirige as associações de futebol. Para convencer as cidades a se candidatarem como sedes das Olimpíadas e da Copa do Mundo, eles prometem investimentos em infraestrutura para a recuperação de áreas degradadas, um aumento duradouro no turismo, melhoria do serviço de saúde pública, um mês como centro global de atenções e a eterna gratidão dos organizadores.

E quanto aos custos? Bem, os benefícios econômicos serão, sem dúvida, tão expressivos que custearão as despesas, que, além disso, poderão ser financiadas com a dívida que vencerá muito depois do funcionário encarregado ter deixado o cargo.

Depois da ampla cobertura da mídia sobre as consequências econômicas das Olimpíadas em Londres, dos Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi e da Copa do Mundo no Brasil, não surpreende que essas promessas raramente se concretizem. Mas até mesmo leitores blasés, que não se interessam pelo assunto, ficarão perplexos diante dos comentários deAndrew Zimbalist, um economista americano e comentarista esportivo em Circus Maximus: The Economic Gamble Behind Hosting the Olympics and the World Cup, um livro sucinto, mas polêmico, que revela a extensão das mentiras que precedem esses eventos e da decepção que vem depois. O subtítulo ambíguo do livro sugere que sediar as competições é “um jogo econômico”, ou seja, uma aposta arriscada, mas com um potencial de grande retorno. Na verdade, Circus Maximus deixa poucas dúvidas, que nas atuais circunstâncias as autoridades governamentais prudentes deveriam evitar a realização dessas competições a qualquer custo.

Talvez a única revelação positiva no livro de Zimbalist seja que os anfitriões estão cada vez mais conscientes do péssimo projeto que o COI e a Fifa querem lhes impingir. Doze cidades candidataram-se a sediar as Olimpíadas em 2004, enquanto só cinco candidatos apresentaram-se como sedes potenciais das Olimpíadas de 2020. Depois da desistência de Oslo em outubro de 2014, só duas cidades, Pequim e Almaty, a maior cidade do Cazaquistão, são candidatas a sediar os Jogos Olímpicos de Inverno em 2022. Esses poucos candidatos seduzidos pelas promessas do COI e da Fifa corroboram o relatório elaborado a pedido do governo holandês em 2012, de que no futuro só países não democratas se candidatarão a sediar esses eventos. Se o COI, que usa os jogos como um marketing de disseminação da paz e harmonia no mundo, não quiser ser um instrumento de propaganda de regimes autocráticos, terá de repensar sua estratégia.

Fontes:
The Economist-Just say no

1 Opinião

  1. Honorio Tonial disse:

    A Copa do Mundo mereceu um planejamento que deve custado um boa soma d dinheiro.
    A construção dos estádios, o transporte e outras exigências, junto com o superfaturamento jamais será revelado à população.
    Até quando continuarão os preparativos para Copa que já se foi!?
    Mais uma efeméride mundial está para acontecer neste nosso querido Brasil.
    eu Brasil maravilhoso. Ninguém saber os custos, pois, inexiste balanço ou prestação de contas
    A FIFA, com absoluta certeza, não sofrerá prejuízo

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