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SOCIEDADE AMERICANA

O fim do sonho americano?

Um novo livro desfaz o mito do sonho americano de sucesso e prosperidade, e de mobilidade social na atual sociedade dos EUA

O fim do sonho americano?
Os EUA estão perdendo seu entusiasmo e, hoje, a estagnação e o conformismo permeiam a sociedade americana (Foto: Flickr)

Os Estados Unidos são a terra da oportunidade, dizem. Inspirado na ambição dos Pais Fundadores, o povo orgulha-se de seu dinamismo. A diversidade é a sua força, como simbolizado no lema nacional E pluribus unum (“Entre muitos, um”). Os americanos são receptivos à mudança e à reinvenção e, por causa dessa característica peculiar, o país, como eles gostam de pensar, diferencia-se da Europa e da Ásia.

Mas na opinião do economista Tyler Cowen esse ideal é autoindulgente. Os EUA estão perdendo seu entusiasmo, disse, e, hoje, a estagnação e o conformismo permeiam a sociedade americana. Em seu novo livro, The Complacent Class: The Self-Defeating Quest for the American Dream, Cowen mostrou que os americanos reduziram as viagens entre os estados do país, em média, à metade do que faziam entre 1948 e 1971. Hoje, os americanos permanecem mais tempo em seus empregos e não têm a mesma capacidade de idealizar e realizar projetos, ou criar negócios que envolvam inovação e riscos.

Há uma concentração cada vez maior de mercados. Poucas empresas estão sendo criadas e muitas enfrentam dificuldade para se expandir. Essa retração reflete-se também no setor de tecnologia, no qual a criação e expansão de novas empresas atingiu o auge no ano 2000. Com a desaceleração do crescimento da produtividade e dos padrões de vida, os EUA se aproximarão mais do modelo econômico da Europa e do Japão.

Em uma visão superficial, os americanos têm mais opções do que antes. Dos mais de 1.400 tipos de música do serviço de streaming, Spotify, ao leque de opções de encontros e livros raros acessíveis com o clique de um botão, os consumidores nunca tiveram produtos tão diversificados à sua disposição. Mas há um lado sombrio na escolha do produto perfeito, do bairro onde morar ou do parceiro. A liberdade de escolha significa que é fácil demais encontrar pessoas com quem se casar, morar perto da escola dos filhos ou de outras pessoas com o estilo de vida parecido.

No sul do país, a proporção de alunos negros nas escolas de maioria branca era de 44% em 1988. Em 2011, a proporção diminuiu para 23%, um percentual inferior ao de 1968. A segregação por renda teve um aumento acentuado nas últimas décadas. A elite americana pode sentir orgulho da diversidade cultural do país na conversa à mesa de jantar, mas na prática os americanos estão se reunindo em grupos fechados de pessoas com mentalidade semelhante

Fontes:
The Economist-The comforts of familiarity

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