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TECNOLOGIA NA CHINA

O grande desafio de conquistar o mercado chinês

A política protecionista do governo e a censura à internet não incentivam a criatividade das empresas do setor de tecnologia da China

O grande desafio de conquistar o mercado chinês
As empresas chinesas são superprotegidas e o talento delas baseia-se na imitação (Foto: Wikimedia)

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O Google deixou de operar na China. O Facebook está bloqueado. A Amazon esforça-se para progredir. E como mais uma prova que o setor de tecnologia na China é um mundo à parte, na primeira semana de agosto o Uber, o serviço de transporte privado por meio do aplicativo e-hailing e uma das start-ups com maior valor de mercado do mundo, decidiu vender sua unidade local para Didi Chuxing, um concorrente chinês. O projeto da empresa de operar com sucesso na China, assim como de tantas outras fracassou.

Para muitas empresas, as lições desta última desistência são claras. A China é uma espécie de ilha Galápagos tecnológica, um ambiente diferente e isolado no qual as empresas locais prosperam. As empresas chinesas estão protegidas da concorrência externa pela regulamentação do governo e pelo Grande Firewall. Com as medidas protecionistas e a censura à internet as empresas não precisam de projetos inovadores para prosperar, é suficiente copiar modelos de negócios desenvolvidos no Ocidente. Em resumo, a China é um mundo fechado, suas empresas são superprotegidas e o talento delas baseia-se na imitação.

Na história habitual do isolamento do mercado chinês, as atividades das empresas estrangeiras ficam bloqueadas ou são prejudicadas pelas agências reguladoras. O governo restringe a competição em alguns setores e, por esse motivo, a China tem empresas medíocres que copiam as inovações de empresas do Ocidente, como Baidu, o maior serviço de busca do país, e a Renren, a rede social chinesa, uma imitação banal do Facebook. Mas a China não é tão impenetrável ao mercado externo como seus críticos sugerem. O WhatsApp, o aplicativo de mensagens mais popular do mundo, que pertence ao Facebook, é um serviço grátis na China.

A presença de uma empresa no mercado chinês é positiva, desde que esteja disposta a perder. Esse fato dá pouco crédito aos líderes chineses do setor de tecnologia. O serviço de transporte através do aplicativo e-hailing, assim como muitos serviços oferecidos por empresas online, é um empreendimento altamente competitivo, e o vencedor absorve todo o mercado. A empresa Didi é um produto da fusão em 2015 de duas empresas chinesas.

Nenhum outro lugar mostra com mais clareza as vantagens e desvantagens de absorver os mercados digitais. Porém os monopólios são projetos arriscados. Agora que a Didi detém 90% do mercado e não existem concorrentes à sua altura, os passageiros irão pagar mais pelo transporte e os motoristas vão ganhar menos. Como atingir o equilíbrio entre a comodidade e a exclusividade é o grande desafio das agências reguladoras na era digital.

Fontes:
The Economist-China’s tech trailblazers

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1 Opinião

  1. Beraldo disse:

    O Mundo tá cheio de infernos, em contraponto ao paraíso dos EEUU.

    Na prática, fora desta mensagem repetitiva de crítica a tudo que não seja americanizado, a realidade da China é de crescimento econômico e tecnológico incontestáveis.

    Falta humildade e respeito à informação correta.

    As verdades já não podem ser ocultadas e/ou distorcidas.

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