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China

O império dos suínos

O apetite insaciável da China por carne de porco é um símbolo da ascensão econômica do país. Mas também significa um perigo para o mundo

O império dos suínos
Em razão da escassez de água e terras na China, é impossível alimentar os porcos tão bem como o povo (Reprodução/ Getty Images)

A China teve um mercado próspero de criação de suínos nos últimos 35 anos. Desde o final da década de 1970, quando o governo desestatizou a agricultura, o consumo de carne de porco aumentou quase sete vezes na China. Atualmente, o país produz e consome cerca de 500 milhões de suínos por ano, metade da produção e consumo no mundo inteiro. A história dos suínos chineses é, portanto, uma parábola do rápido crescimento econômico do país. Porém é um fato mais do que simbólico. A predileção da China por carne de porco tem sérias consequências para a economia, o meio ambiente e o mundo.

Os suínos da China não são as únicas vítimas de sua popularidade. O excesso de demanda preocupa o Partido Comunista, apoia o que em breve será a maior economia do mundo e ameaça a floresta amazônica.

O Partido Comunista não consegue mais controlar todos os detalhes da criação de suínos no país. Em parte porque o apetite por carne de porco é tão grande e cresce com tanta rapidez, que saciá-lo depende de lugares muito distantes das fronteiras da China. Os suínos chineses, por sua vez, estão alterando o meio ambiente de países situados a uma grande distância da China.

O Partido Comunista orgulha-se da autossuficiência de alimentos. A ração dos porcos é quase toda produzida nos país. Mas para cada quilo de porco é necessário 6 quilos de ração, em geral soja ou milho processados. Em razão da escassez de água e terras na China, é impossível alimentar os porcos tão bem como o povo. Em consequência, os suínos chineses, que antes comiam restos de comida das casas, cada vez mais dependem de comida importada. Mais da metade das colheitas do mundo logo será destinada a alimentar os porcos chineses. Em 2010, a importação de soja na China representou mais de 50% do mercado mundial de soja. Antes reduzida, a importação de grãos também está aumentando com rapidez. O U.S. Grains Council, uma organização sem fins lucrativos de importação e exportação, prevê que em 2022 a China precisará importar de 19 a 32 milhões de toneladas de milho, o equivalente a um quinto e a um terço do comércio atual de milho no mundo inteiro.

Por conseguinte, o uso da terra está mudando de uma maneira radical do outro lado do mundo. No Brasil, mais de 25 milhões de hectares de terras da floresta amazônica estão sendo utilizadas para cultivar soja.

 

 

Fontes:
The Economist-Empire of the pig

2 Opiniões

  1. Joma Bastos disse:

    Grades empresas chinesas e brasileiras já agro-industrializaram as melhores terras Moçambicanas, para a produção de milho, arroz e soja. Neste momento uma grande empresa chinesa está a desenvolver um mega projeto agroindustrial na província do Zaire, Angola. No Brasil… os brasileiros encarregam-se de agro-industrializar as melhores terras, para a produção de cereais, tendo como mega clientes a China e a Rússia.

  2. Vitafer disse:

    Basta converter os chineses ao judaísmo e o problema dos porcos será resolvido.

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