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O ‘inverno’ das laranjas nos EUA

EUA enfrentam uma 'espremida' catastrófica no mercado de sucos de laranja

O ‘inverno’ das laranjas nos EUA
Laranjas congeladas no inverno da Flórida (Reprodução/AP)

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Análises de variações nos preços de mercadorias geralmente envolvem declarações sábias sobre a economia chinesa, geopolítica ou o aumento do nacionalismo de recursos nos países em desenvolvimento. Mas as oscilações recentes nos preços do suco de laranja têm muito mais a ver com fatores prosaicos tais como o clima no sul da Flórida ou devastações causadas por pragas ou pela doença das manchas negras nas safras brasileiras. O preço de contratos futuros de concentrado congelado de suco de laranja saltou cerca de 25% desde o início de ano, atingindo seu valor mais alto em 34 anos, devido principalmente a preocupações de que o Brasil, uma importante fonte de importação de laranjas para os norte-americanos, pode ter usado fungicidas proibidos, o que pode resultar na proibição da importação.

O concentrado congelado de suco de laranja foi desenvolvido pela Comissão de Cítricos da Flórida e pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos como parte do esforço dos norte-americanos para trazer o sabor das frutas frescas para seus aliados nos campos de batalha durante a Segunda Guerra Mundial (veja um estudo interessante sobre o mercado do suco de laranja nos Estados Unidos aqui).

O comércio de contratos futuros decolou após a guerra, já que o trabalho duro que era garantir décadas de dominação econômica norte-americana não deixava sobrar muito tempo para espremer laranjas em casa. Companhias de sucos e agricultores também queriam se proteger contra os estragos causados por geadas, furacões e doenças.

Recentemente, os norte-americanos perderam parte da sua sede por suco de laranja: as vendas caíram em quase 9% em dezembro, em comparação a um ano atrás. E sucos feitos de concentrado congelado têm perdido espaço para sucos frescos, mais saborosos, nos últimos anos. Mas as árvores na Flórida estão desaparecendo mais rápido, em parte porque muitos laranjais foram transformados em conjuntos habitacionais durante o boom do mercado imobiliário. Como resultado, a produção de cítricos (que inclui toranja) caiu em quase 40% entre 1996 e 2010. Tudo isso resultou na diminuição de um mercado já pequeno: estima-se que o valor do comércio diário esteja em cerca de meros US$ 35 milhões. E o Brasil, que produz metade do suco de laranja do mundo, se tornou ainda mais importante.

Portanto, problemas em potencial com as importações brasileiras, combinados com a recente onda de frio na Flórida, que pode ter causado um certo estrago no cultivo de laranjas, tornou ainda mais volátil um mercado cujos pequenos volumes negociados já são razão suficiente para mudanças de preço rápidas e difíceis de se explicar. Dito isso, uma explicação alternativa não pode ser descartada. Vendedores pequenos, esperando uma queda nos preços, podem estar fazendo compras impulsionadas pelo pânico para cobrir demandas à medida que os contratos expiram. Tentam, assim, prevenir uma “espremida” catastrófica no mercado de suco de laranja.

 

Fontes:
Economist - Orangonomics

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