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COTAS

O polêmico sistema de cotas para mulheres em empresas

O sistema de cotas obrigatórias para mulheres em conselhos de administração não significou um progresso em suas carreiras profissionais

O polêmico sistema de cotas para mulheres em empresas
Nos EUA, que não têm sistema de cotas, a presença das mulheres aumentou em 20% (Foto: Pixabay)

Desde a época dos vikings, quando as mulheres trabalhavam nos campos enquanto os homens navegavam por mares distantes conquistando novas terras, as norueguesas têm desempenhado um papel importante na economia do país. Assim, nada mais natural que, há dez anos, a Noruega tenha criado uma política pioneira para incentivar a presença das mulheres nos conselhos de administração das empresas.

Em meio a objeções dos acionistas, a Noruega criou um sistema de cotas obrigatórias que exige que as empresas listadas nas bolsas de valores preencham pelo menos 40% dos cargos nos conselhos de administração com mulheres, um aumento significativo em comparação com menos de 8% em 2002. Os críticos viram nessa medida uma forma contraproducente de promover as carreiras das mulheres.

Mas a presença feminina nos conselhos de administração faz parte da cultura corporativa de grandes empresas na Bélgica, Alemanha e França, onde as mulheres ocupam de 30% a 40% dos assentos, uma proporção de três a cinco vezes maior do que há dez anos. Nos Estados Unidos, que não têm sistema de cotas, a presença das mulheres aumentou em 20%. Porém, existe uma justificativa para a imposição de cotas, com o objetivo de diminuir a desigualdade de gênero?

Os críticos também advertiram que as cotas obrigatórias, em vez de prestigiar as mulheres, as humilhavam porque elas preferiam ascender profissionalmente por seus próprios méritos e não por uma questão de gênero. Além disso, comprometia a governança corporativa ao colocar mulheres em posições para as quais muitas vezes não eram qualificadas, ou preenchendo os assentos nos conselhos com o mesmo grupo de executivas competentes.

No entanto, a participação de mulheres em conselhos de administração tem aumentado de maneira uniforme. Nas grandes empresas europeias listadas nas bolsas de valores, 15% dos executivos ocupam cargos em três ou mais conselhos, enquanto a proporção das mulheres é de 19%. Porém, o fato de ocuparem assentos em conselhos não é um incentivo à ascensão profissional das mulheres, nem à equiparação salarial.

Na Noruega, apenas 7% das grandes empresas têm diretores do sexo feminino. No Reino Unido, França, Alemanha e Holanda, de 80% a 90% dos cargos mais graduados ainda são ocupados por homens. Nos países desenvolvidos, as mulheres em empregos com tempo integral ganham em média menos do que os homens.

Em vez de um sistema de cotas obrigatórias ou regras rígidas, medidas mais maleáveis ajudariam as mulheres a progredirem em suas carreiras, como horários de trabalho mais flexíveis, que permitem conciliar as atividades domésticas com as profissionais. As empresas não devem adotar atitudes paternalistas em relação às mulheres, e sim incentivá-las a desenvolver seus talentos.

Fontes:
The Economist - Why board quotas are no friend to women workers

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