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DESERTIFICAÇÃO

O prejuízo econômico do Iraque pela falta de água

Avanço da desertificação afeta a economia e a recuperação de um país já devastado pela violência e por crises econômicas

O prejuízo econômico do Iraque pela falta de água
Três quartos das terras do Iraque não são mais cultivados por falta de irrigação (Foto: Max Pixel)

Após décadas de guerras e da luta recente contra o Estado Islâmico (Isis), a desertificação que se estende por grandes áreas agrícolas do Iraque está prejudicando a economia local e a recuperação de um país devastado pela violência e crises econômicas.

“Há 50 anos, salvei um amigo que estava se afogando ao ser arrastado pela correnteza quando nadávamos no rio Diyala”, contou Qasim Sabti, um pintor e dono de uma galeria de arte em Bagdá. “Voltei ao local há pouco tempo e a água no rio estava tão rasa que um homem podia atravessá-lo com seu cachorro”.

“Em 1º de julho, a Turquia começou a encher a represa de Ilisu no rio Tigre e isso reduzirá em cerca de 50% o fluxo de entrada de água no Iraque”, disse preocupado Hassan Janabi, ministro de Recursos Hídricos do Iraque.

Essa redução no volume de água dos rios começou na década de 1970, quando a Turquia e a Síria ergueram uma represa no rio Eufrates para construir uma usina hidrelétrica e dar início a um grande projeto de irrigação. Pouco depois, o Irã construiu represas nos principais afluentes do rio Tigre. Alguns rios menores, como Karun e Kark, que desaguavam no Iraque, tiveram seus cursos de água desviados pelos iranianos.

O Iraque já foi autossuficiente na produção de alimentos, mas agora importa 70% de gêneros alimentícios, sobretudo do Irã e da Turquia. As importações de alimentos deverão aumentar este ano devido ao volume maior de água da represa de Ilisu, que obrigou o governo a restringir o cultivo de arroz e trigo, a fim de poupar a água usada na irrigação.

Imad Naja, um coronel reformado da Força Aérea iraquiana, herdou uma pequena fazenda perto de Awad al-Hussein, um vilarejo nos arredores de Taji, ao norte de Bagdá, há 15 anos. Naja dedicava-se ao cultivo de diversas culturas, além da criação de abelhas e de peixes.A fazenda produzia meia tonelada de mel por ano e Naja construiu um viveiro de peixes perto de sua casa.

Agora, três quartos de suas terras não são mais cultivados por falta de irrigação. Naja planta alfafa para vendê-la como ração animal, porém os apiários estão vazios e não há mais peixes no viveiro.

A escassez de água está modificando a paisagem do país e a inter-relação entre seus habitantes e o meio ambiente. Sabti inaugurou uma exposição em sua galeria de arte em Bagdá, na qual 90 quadros de artistas iraquianos mostram cenas bucólicas de rios, lagos, pântanos, palmeiras e plantações. “É preciso preservar a lembrança desses lugares antes que os rios Tigre e Eufrates sequem”, disse Sabti.”Alguns deles desaparecerão no próximo ano com a rápida queda no fornecimento de água”.

 

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Fontes:
Independent-Catastrophic drought threatens Iraq as major dams in surrounding countries cut off water to its great rivers

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