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Crise na Grécia

O que esperar se a Grécia sair do euro

Mercados já não despencam como antigamente frente à possível saída da Grécia da zona do euro, mas países do Leste Europeu podem ser fortemente impactados

O que esperar se a Grécia sair do euro
União Europeia negou o pedido de resgate do premier grego Alexis Tsipras (Foto: Wikipédia)

A probabilidade de que a Grécia deixe a zona do euro, desvalorize sua moeda e não pague suas dívidas aumentaram significativamente durante o último fim de semana. Curiosamente, na segunda-feira, 29, a reação do mercado ao ver a Grécia finalmente chegar à beira do calote foi relativamente pequena, na comparação com outros abalos nas bolsas que a crise grega provocou em anos anteriores. As ações europeias caíram 3%. O mercado de ações americano caiu apenas 0,6% nas primeiras horas da manhã, e de tarde caiu 1,9%. Isso mostra que os grandes mercados financeiros não parecem acreditar que a possibilidade de que a Grécia abandone a zona do euro possa levar a situação no continente a sair de controle, desmanchar a zona do euro ou causar uma recessão em toda a Europa.

Leia também: Referendo na Grécia pode marcar saída do país da zona do euro

Nesta terça-feira, 30, o premier grego Alexis Tsipras anunciou que ainda podia chegar a um acordo de última hora com os credores internacionais do seu país. No entanto, a União Europeia confirmou o calote aos credores gregos, ao rejeitar o novo pedido de socorro financeiro do país. Segundo o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, um novo pacote só seria possível após o referendo do próximo domingo, 5, no qual a população decidirá se o governo deve dizer “sim” e aceitar os termos de um novo resgate estipulado por seus credores internacionais ou se deve rejeitar a proposta, dar calote nos credores e, talvez, abandonar o euro.

Em defesa do ‘não’ no referendo

A saída da Grécia do euro já está sendo vista como vantajosa para a própria Grécia por alguns especialistas. Na última segunda-feira, 29, dois importantes economistas, Paul Krugman e Joseph Stiglitz, ambos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia, defenderam que os gregos votem “não” no referendo, rejeitando novas medidas de austeridade e abandonando o euro se necessário.

Em seu artigo no New York Times, Krugman, Nobel de 2008, argumenta que, após cinco anos de duras medidas de austeridade, a Grécia está pior do que nunca. Embora o governo grego tenha errado ao gastar acima das suas possibilidades do final dos anos 2000, quando aderiu à moeda única, Krugman argumenta que, desde então, o governo vem cortando repetidamente despesas e aumentando impostos.

Para Krugman, a economia grega entrou em colapso devido a um excesso de medidas de austeridade, que afundaram as receitas do Estado. Esse colapso estaria ligado ao euro, que segundo o economista, “amarrou a Grécia em uma camisa de forças econômica”. Krugman diz que a crise grega vai persistir enquanto a sua saída do euro for considerada algo impensável.

Já Joseph Stiglitz, Nobel de 2001, escreveu no Guardian na segunda-feira, 29, que, se os gregos votarem “sim” no referendo, irão enfrentar uma depressão “quase sem fim”. Já em um cenário em que os gregos votem “não”, Stiglitz defende que isso “pelo menos iria abrir a possibilidade de a Grécia, com a sua forte tradição democrática, ter a oportunidade de decidir o seu destino por si”.

Banco Mundial em alerta

Nesta terça-feira, o Banco Mundial disse que está em alerta para um possível contágio da crise na Grécia nos países do Leste Europeu que não fazem parte do euro. Milhões de pessoas na Bulgária, Macedônia, Albânia, Sérvia e Romênia têm seus depósitos em bancos controlados por instituições gregas, e um colapso da economia da Grécia poderia ter um impacto significativo nestes países.

Fontes:
The New York Times - Why aren´t the markets freaking out more about the Greek crisis?
Rede Brasil Atual - Economistas ganhadores do Nobel defendem o 'não' no referendo grego

1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    Não importa o que decidirem fazer, a situação vai piorar.
    Quem gasta mais do que ganha não pode se dar bem, exceto se for cidadão de primeira classe no Brasil.
    Tsipras, como bom esquerdista, quer que o povo decida como vai se enterrar. Bem esperto, esse rapaz.
    Para que mais, esse pessoal usaria um referendo?

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