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ECONOMIA

O renascimento do setor de petróleo dos EUA

Avanço na produção e novas tecnologias de extração colocam os EUA em uma posição vantajosa em relação aos seus principais concorrentes

O renascimento do setor de petróleo dos EUA
No entanto, avanço atual deve ser visto como algo de curto prazo (Foto: Pixabay)

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Um aumento substancial no preço do petróleo nos últimos meses deu novo fôlego à produção do recurso nos Estados Unidos, tornando o país capaz de desafiar a dominância da Arábia Saudita no setor e resistir à volatilidade na cotação do barril.

O sucesso americano ocorre em meio aos esforços do governo saudita e seus aliados na Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) para minar a exploração de gás de xisto nos EUA. Segundo um artigo publicado no último domingo, 28, no New York Times, os esforços da Opep tiveram o efeito contrário e acabaram por beneficiar o setor de óleo e gás americano.

“Superar três anos de derrocada nos preços provou a resistência na expansão do xisto. Empresas de energia e seus investidores financeiros foram capazes de enfrentar a turbulência do mercado – e as manobras do cartel global de petróleo – ajustando a exploração e as técnicas de extração”, diz o artigo, assinado por Clifford Krauss, correspondente do ‘NYT’ para o setor de energia americano.

De acordo com o artigo, após uma penosa reestruturação, que incluiu várias falências e significantes perdas de emprego, um setor de exploração de xisto mais estável está nascendo nos EUA, calcado em empresas com melhor financiamento. Com o barril de petróleo sendo negociado a mais de US$ 60 no Texas, os EUA estão se tornando um produtor dominante do recurso, capaz de suplantar concorrentes no fornecimento a amplos mercados, em especial China e Índia, além de minar a importação do Oriente Médio e da África.

A previsão da Agência Internacional de Energia é que os EUA ultrapassem a Arábia Saudita e rivalizem com a Rússia na posição de produtor mundial de petróleo este ano, com uma produção média de 10 milhões de barris por dia.

“É uma guinada de 180 graus para os EUA e o impacto está começando a ser sentido no mundo. Isso não apenas contribui para a segurança energética dos EUA, mas também contribui para a segurança energética do mundo ao apresentar novos fornecedores”, explica Daniel Yergin, economista, historiador e autor do livro O Prêmio: a busca épica pelo petróleo, dinheiro e poder.

Ao mesmo tempo, os EUA estão se tornando um grande exportador de gás natural, outra consequência da revolução do xisto. Tal fato mina a dominância da Rússia no fornecimento de gás para o Leste Europeu.

“A melhora no cenário ocorre no momento que o governo Trump tenta aumentar a produção offshore e aliviar regulamentações referentes à produção de combustíveis fósseis. Mas assim como a ascensão da produção de petróleo e gás de xisto durante a gestão de Barack Obama teve pouco a ver com Washington, a ascensão atual no setor é fruto de empresas privadas respondendo a mercados globais”, diz o artigo do ‘NYT’, ressaltando que, agora, os EUA e seus aliados têm uma “almofada de segurança” num momento em que o caos na Venezuela, Líbia e Nigéria ameaça a oferta de petróleo.

Segundo o texto, o cenário atual era impossível de prever em 2014, quando o aumento da produção de petróleo dos EUA começou a ganhar peso no mundo. A estratégia da Opep de aumentar a produção para tornar a exploração do xisto americano economicamente inviável prejudicou os EUA, mas também resultou na otimização do processo de extração.

“A produção americana caiu rapidamente, mas o arrocho no preço [do petróleo] tornou as empresas mais inovadoras em relação a tecnologias de perfuração, robótica e sensores para maximizar a produção e reduzir custos”, diz o artigo, destacando que tais avanços permitiram a maximização dos lucros mesmo com a derrocada no preço do barril.

No entanto, o artigo lembra que o bom cenário atual é de curto prazo. O motivo é o avanço no uso de fontes de energia limpas e as críticas ambientais ao avanço na exploração do xisto, cuja extração de óleo e gás envolve a injeção de água e químicos sob pressão em camadas profundas da rocha onde o gás natural está contido, o que causa alagamentos e contaminação em áreas próximas. Para muitos ambientalistas, o avanço na produção do xisto estende a vida dos combustíveis fósseis em detrimento do desenvolvimento de fontes limpas de energia.

Segundo o artigo, diante disso, o ideal é aproveitar o boom atual tendo ciência de que ele se dissipará nas próximas décadas. “Preocupações referentes às mudanças climáticas, bem como a crescente popularidade dos carros elétricos e o esgotamento dos melhores campos de xisto atuais, provavelmente irão frear a produção e a demanda nas próximas décadas. Mas em curto prazo o boom mudou o cenário”, diz o texto.

 

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