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Negócios em família

O sucesso das empresas familiares

Existem lições importantes a serem aprendidas com a surpreendente capacidade de recuperação das empresas familiares

O sucesso das empresas familiares
A força das empresas familiares é tão importante no mundo atual como no início do capitalismo (Reprodução/Getty Images)

Hoje, o poder raramente é herdado. Os reis passam a vida cortando fitas de inauguração de monumentos, prédios etc. e assistindo a funerais. Os aristocratas rurais precisam percorrer um longo e árduo caminho se quiserem ter uma influência expressiva em seu meio. Mesmo nos Estados Unidos as grandes dinastias como a de Clinton e a de Bush têm dificuldade de se elegerem. A empresa familiar, a essência do sistema capitalista, é a única exceção.

Há décadas estudiosos importantes do capitalismo anunciam a morte das empresas familiares, com o argumento que essas empresas seriam marginalizadas com a chegada do capitalismo industrial. E com razão, porque tanto nos Estados Unidos quanto na Europa essas empresas tiveram dificuldades em quase todo o século XX.

No entanto, essa situação de declínio se reverteu. Atualmente, a proporção das 500 empresas citadas pela revista Fortune, com características de empresas familiares aumentou de 15% em 2005 para 19%. Na Europa, as empresas familiares representam 40% das grandes empresas citadas. De acordo com o relatório McKinsey, em 2025 a proporção de empresas familiares dos países emergentes será de 37% do total das companhias com receitas anuais de mais de $1 bilhão, em comparação com 16% em 2010.

Como as empresas familiares desafiaram os prognósticos dos obituaristas? Muitas ainda enfrentam problemas sérios, a exemplo do colapso financeiro do grupo Espírito Santo em Portugal. Mas, sobretudo no Ocidente, as empresas familiares têm menos falhas do que antes, porque foram bem-sucedidas em solucionar seus pontos fracos mais óbvios.

A força das empresas familiares é tão importante no mundo atual como no início do capitalismo. Como observou Adam Smith em A riqueza das nações, os executivos contratados não têm a mesma “vigilância rigorosa” na administração de empresas como seus proprietários, em geral, parcimoniosos em suas despesas operacionais e obcecados pela eficiência. Eles pensam em termos de gerações, em vez de resultados trimestrais, ou riqueza imediata.

Fontes:
The Economist-Relative success

2 Opiniões

  1. Luiz Alberto Franco disse:

    A herança é algo que, em princípio, colide com o espírito do capitalismo, em que o sucesso do indivíduo dependeria mais de sua competência do que de sua árvore genealógica ou da capacidade de acumulação dos seus ancestrais. Isso explicaria com facilidade a derrocada de alguns grupos familiares no seio dos quais não surgiram pessoas capazes (ou interessadas) de dar continuidade à empresa. O texto ilumina a questão quando acena, bem no final, para um motivo do sucesso de alguns grupos: conseguir fugir da obsessão pelos resultados trimestrais e pensar “em termos de gerações”, isto é, no longo prazo.

  2. Joma Bastos disse:

    Falta dar condições educacionais e econômicas, para que o povo brasileiro possa criar sustentabilidade neste país.

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