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Economia

O tombo global dos mercados financeiros

Desaceleração da economia chinesa leva à turbulência nos mercados globais, afetando particularmente mercados emergentes como o Brasil

Começou inocentemente, com uma queda nos mercados da China. No entanto, o mergulho que começou na Ásia e que foi seguido por uma queda desagradável nos mercados americanos na última sexta-feira, 21, continuou a ganhar impulso. O tombo agora parece algo bastante preocupante.

Quando os mercados de Xangai fecharam nesta segunda-feira, 24, as ações haviam caído 8,5%, a pior queda em um único dia em oito anos. O jornal Diário do Povo, do Partido Comunista, chamou o dia de “Segunda-Feira Negra”.

O nervosismo respingou para fora da China também. O índice Nikkei do Japão caiu 4,6%. Bolsas europeias sofreram baixa de cerca de 4% a 5%. As ações já recuperaram algum terreno, mas os principais índices ainda estão cerca de 4% abaixo do normal. O índice Eurofirst 300 teve seu pior dia desde 2009. O DAX, da Alemanha, já perdeu todos os ganhos que acumulou em 2015.

A dor se estende para além dos mercados de ações. Moedas de países emergentes, do real ao ringgit, da Malásia, estão caindo. Commodities também estão afundando. O preço do petróleo atingiu seu nível mais baixo em seis anos e meio. Um índice mais amplo de 22 produtos compilados pela Bloomberg também está em seu nível mais baixo desde 1999. Apenas ativos considerados porto-seguros, como títulos de governo emitidos por países como EUA e Alemanha, não foram abalados. Até o preço do ouro caiu.

Questões fundamentais estão sendo levantadas sobre a China, uma economia que responde por 15% do PIB mundial e cerca de metade do crescimento global. A capacidade do governo chinês de gerenciar oscilações de mercado foi posta em cheque, sugerindo que uma descida rumo à estagnação ao estilo japonês é uma possibilidade. As chances de uma desaceleração acentuada chinesa estão aumentando.

Essa turbulência, que afeta os mercados globais, também pode representar o fim definitivo do período de crescimento estrondoso dos mercados emergentes, que começou por volta de 2000. A queda dos índices e das moedas de mercados emergentes é mais uma prova de que a combinação de crescimento chinês, baixas taxas de juros e aumento nos preços das commodities, uma fórmula que impulsionou o crescimento dos mercados emergentes, está chegando ao fim, deixando o mundo em desenvolvimento de ressaca. Uma desaceleração prolongada seria muito dolorosa, especialmente se ela levar à instabilidade política, algo que já vem acontecendo no Brasil.

Fontes:
The Economist - The causes and consequences of China's market crash

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