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Olhando para o longo prazo

A busca desenfreada por lucros imediatos para o acionista está gerando críticas dentro de empresas

Olhando para o longo prazo
O 'curto prazismo' abunda em Wall Street

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Ele é o executivo-chefe de uma empresa multinacional, mas Paul Polman às vezes soa mais como um porta-voz do movimento Occupy Wall Street. O presidente da Unilever (uma empresa anglo-holandesa de bens de consumo) se angustia com questões como o desemprego, o aquecimento global e a ganância da geração baby-boomer. Ele atribui parte da culpa por essas mazelas à  teoria de administração de empresas mais influente das últimas três décadas: a de que as empresas devem visar maximizar os retornos para seus acionistas acima de tudo.
Ele parece levar a sério o que diz. Desde que chegou à presidência em 2009, Polman fez com que a Unilever parasse de publicar relatórios completos de resultados financeiros a cada trimestre. Ele se recusa a oferecer estimativas de receita para analistas do mercado acionário. Polman introduziu um longo “plano de vida sustentável” e atraiu um novo quadro de investidores de longo prazo, particularmente em mercados emergentes. Ele chegou a dizer em uma palestra em Davos que gestores de fundo de hedge venderiam suas próprias avós a fim de obter lucro.
Polman foi um dentre vários titãs a denunciar o culto do valor para o acionista no Peter Drucker Forum, um encontro anual de admiradores do finado guru da administração de empresas austríaco, em Viena, nos dias 15 e 16 de novembro.

Tal culto certamente gerou resultados perversos. A moda de vincular as remunerações ao preço da ação fez com que alguns presidentes manipulassem esses preços. O “curto prazismo” abunda em Wall Street: a duração média de possessão de uma ação na bolsa de valores de Nova York caiu de oito anos em 1960 para quatro meses em 2010. A ênfase em resultados de curto prazo tentou algumas empresas a negligenciar as áreas de pesquisa e inovação, roubando do futuro para turbinar os lucros deste ano. “Resultados de longo prazo não podem ser atingidos mediante o empilhamento de uma série de resultados de curto prazo”, afirmou Drucker no passado. John Kay, um economista britânico, argumenta que a busca pelo lucro de curto prazo pode ter minado duas das mais importantes empresas britânicas, a ICI e a GEC.

Fontes:
The Economist - Taking the long view

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2 Opiniões

  1. Rudy Lang disse:

    Pena que não dá para mandar um e-mail com este artigo para o mundo espiritual, especificamente, para o Steve Jobs.

  2. Alexandre Boratto do Vale disse:

    Isso é muito serio e catastrófico para a imagem corporativa, a nem tão longo prazo assim, sou cético a respeito dessa maravilha tecnológica em pretensamente estamos agora, veja uma nave Voyager artefato feito para funcionar por 5 anos e está há décadas OK, do outro lado vejamos o acúmulo de recalls em algumas corporações que tinham por principio a qualidade, a turminha do financeiro tem aversão ao custo dos projetos mais elaborados e testados, parece que tentam acreditar que um bom marketing é capaz de vender um produto não muito bom embora lindo. Depois é depois …. será ?? O que aconteceu desde a década de 70 pra cá foi o atropelamento dos prazos e custos de elaboração , dividem-se os projetos em partes e espera-se que no final juntando tudo dê certo. Isso depende de haver um diretor com controle e conhecimento da maior parte do todo deste ( vide Apple e a antiga Sony )
    Attention cést serieux …

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