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Softwares de Bloqueio

Os desafios da publicidade online

Com o acesso a softwares cada vez mais fáceis de serem instalados, usuários estão bloqueando os anúncios publicitários nos computadores e celulares

Os desafios da publicidade online
Mais de 200 milhões de pessoas no mundo inteiro são usuários habituais de programas de bloqueios de anúncios publicitários (Reprodução/Pexels)

Em publicidade, diz um antigo ditado, metade do dinheiro gasto é desperdiçado; mas ninguém sabe que metade foi prejudicada. Esse problema deveria ocorrer com menos frequência na publicidade online, porque as preferências e hábitos dos leitores podem ser rastreados e, assim, os anúncios se adaptam ao perfil dos consumidores. Mas os consumidores estão usando cada vez mais softwares, que bloqueiam anúncios publicitários nos sites que visitam.

Se essa tendência continuar, o novo ditado do mercado publicitário poderá ter o seguinte texto: metade dos anúncios destinados aos consumidores online não atinge seu público-alvo. Essa tendência ameaça o modelo de negócios predominante na publicidade online, em que os consumidores obtêm conteúdo e serviços gratuitos, em troca da permissão de acesso dos anunciantes às suas telas.

Segundo algumas estimativas, mais de 200 milhões de pessoas no mundo inteiro são usuários habituais de programas de bloqueios de anúncios publicitários. Nos registros da empresa Eyeo, a fabricante do Adblock Plus, um dos softwares mais usados, o programa já foi baixado mais de 400 milhões de vezes. Até há pouco tempo, os anúncios eram bloqueados em geral nos computadores e laptops, mas agora os usuários estão instalando o software em seus celulares, que, de acordo com pesquisas, será um meio crescente de acesso à internet.

Os softwares de bloqueio aos anúncios eram difíceis de instalar e, por isso, seu uso restringia-se a uma minoria com conhecimentos técnicos de informática. Porém agora os aplicativos podem ser baixados em browsers populares como Chrome ou Firefox, e instalados com apenas alguns cliques. O uso cada vez mais comum de vídeos promocionais que tocam músicas automaticamente ou que impedem a leitura de um texto, tem incentivado um número crescente de pessoas a bloqueá-los. Os consumidores mais jovens detestam esses anúncios intrusivos e, à medida que envelhecem, a tendência a bloquear os anúncios será ainda maior, prevê  Peter Stabler da Wells Fargo Securities, um dos autores de um relatório recente sobre esse fenômeno.

Poucos editores da web incluem o prejuízo dos bloqueios de anúncios em suas perdas, mas a ProSiebenSat.1, uma empresa de mídia alemã, disse que em 2014 a prática havia custado €9,2 milhões (US$10,4 milhões) à empresa, cerca de um quinto de suas receitas na internet. Os editores voltados para um público masculino que adora novas tecnologias são os mais prejudicados, mencionou Sean Blanchfield da PageFair, uma startup irlandesa que ajuda os editores a  quantificar e administrar o bloqueio dos anúncios. E em alguns sites de videogame online mais da metade dos anúncios são bloqueados.

Fontes:
The Economist-Block shock

2 Opiniões

  1. Roberto1776 disse:

    Depois que começaram a forçar o leitor a assistir um vídeo de 30 segundos ou mais para poder acessar determinado conteúdo, desisti de ler a notícia e ainda anoto o nome do safado que tenta me impingir o que não quero.
    Por outro lado, todos os anunciantes que me dão a oportunidade de ver ou não ver seu anúncio, em três segundos, têm a minha simpatia e, frequentemente, assisto de livre e espontânea vontade, a mensagem oferecida.
    O que esses gênios da publicidade parecem não entender é que ao forçar a barra eles só causam repulsa ao produto em questão.
    O Google já está dando ao “leitor'” a oportunidade de bloquear certos tipos de anúncio.

  2. Mauricio disse:

    Assim como outros setores, a propaganda encontra-se na mesmice, caiu na vala comum.
    A criatividade, salvo raras exceções, está desaparecendo e dando lugar a fórmulas desgastadas que incomodam e contrariam o público consumidor.
    E isso acontece exatamente pela falta de dados mensuráveis de ganhos e perdas, o que é esclarecido no texto acima.
    Atrair o cliente é usar ferramentas que o encantem e não que o iludam como a maioria da propaganda nacional faz e, para piorar, ao invadir e iludir cada vez mais aumenta o descontentamento com uma marca ou produto.
    Salve o AdBlock!!!!!!!

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