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ECONOMIA GLOBAL

Os riscos de um mundo de baixas taxas de juros

Um grupo cada vez maior de críticos alerta para os riscos de ter vários bancos centrais do mundo reduzindo suas taxas básicas de juros

Os riscos de um mundo de baixas taxas de juros
O desafio hoje é encontrar uma política monetária equilibrada (Foto: Flickr)

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Bancos centrais não tem o costume de buscar os holofotes, mas nos últimos anos vêm atraindo cada vez mais atenção – e hostilidade também. O motivo é a política de juros atualmente adotada por esses órgãos para lidar com a crise financeira global.

Durante a crise de 2008, bancos centrais, como o Federal Reserve americano, foram exaltados por sua atuação. Ao reduzir a taxa básica de juros e imprimir mais dólares para comprar ativos, os bancos centrais impediram que o choque gerado pela crise se transformasse em recessão. Essa política monetária se chama quantitative easing e é usada em situações extremas para reanimar a economia.

Porém, anos após o êxito, essa atuação está sendo posta em xeque. A prática de reduzir e até colocar em negativo a taxa de juros está no centro de um debate inédito. Os bancos centrais afirmam que essa política monetária continua essencial para estimular economias e manter a inflação dentro da meta.

Mas um grupo cada vez maior de críticos alerta para os riscos de ter vários bancos centrais do mundo aderindo à medida. Segundo eles, isso fará da economia mundial um mundo às avessas, onde taxas são cobradas aos que poupam, e onde os rendimentos da dívida pública de muitos países ricos ficam no negativo.

Neste debate, os dois lados estão errados. É muito simplista afirmar que os bancos centrais estão causando uma economia global de baixos juros, quando na verdade eles estão lutando contra isso. Em muitos países desenvolvidos a inflação está abaixo da meta desejada. O FED, por exemplo, está ansioso por elevar a taxa de juros.

Por outro lado, para salvar a economia global dos juros baixos é necessário adotar outra política monetária. Apesar de ser vital para estimular o crescimento, o quantitative easing somente tem resultados em longo prazo, e muitas economias necessitam de socorro imediato.

A principal medida a ser tomada contra a recessão é aumentar a participação dos governos através de incentivos fiscais. O problema é que políticos são bons em cortar impostos e aumentar os gastos, mas não sabem o que fazer para reverter essa prática quando ela já não é mais necessária. Além disso, estímulo fiscal se tornou sinônimo de um estado cada vez maior.

O desafio hoje é encontrar o equilíbrio através de uma política monetária capaz de reanimar a economia, sem fazer com que o governo crie raízes nela.

Fontes:
The Economist-The low-rate world

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