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Escândalo e propaganda

As estrelas cadentes da publicidade

Mesmo quando figuras públicas se envolvem em escândalos, marcas raramente deixam de patrociná-las

As estrelas cadentes da publicidade
Atleta do futebol americano Tom Brady se envolveu em escândalo de esvaziamento de bolas para tirar vantagem na semifinal da NFL (Foto: Wikimedia)

No mundo da moda e das celebridades, pessoas públicas vendem roupas e outros produtos, vinculando sua imagem cuidadosamente construída para transferir credibilidade a determinadas marcas. Mas isso funciona no sentido contrário? Escândalos de grande repercussão na carreira de garotos-propaganda prejudicam a imagem de marcas associadas a eles?

O caso mais recente é o do jogador de futebol americano do time de Boston, nos EUA, Tom Brady, mais conhecido no Brasil por ser marido da modelo brasileira Gisele Bünchen e um dos melhores jogadores da história da Liga Nacional de Football Americano (NFL). Brady se envolveu em um escândalo de trapaça após ser campeão da NFL pela quarta vez em sua carreira. De acordo com uma investigação, as bolas teriam sido esvaziadas para ajudar no desempenho do jogador na semifinal da competição.

De acordo com levantamentos do Repucom, uma empresa de pesquisa em esportes e entretenimento que administra o DBI, índicie que quantifica a percepção sobre centenas de celebridades de vários campos, Brady perdeu 2234ª posições no ranking da confiabilidade, passando da 863ª para a 3097ª, o mesmo patamar de Macaulay Culkin e Britney Spears.

Porém, isso não é tão ruim quanto parece. A história sugere que atletas envolvidos em escândalos normalmente se recuperam, apesar de passarem por um curto período no limbo e perder um pouco de dinheiro.

Casos semelhantes

Foi o caso do jogador de futebol brasileiro Ronaldo Fenômeno, que se envolveu em um escândalo com três travestis em um motel no Rio de Janeiro, mas conseguiu manter seus patrocínios.

Outros atletas americanos também passaram por situações semelhantes, como o nadador Michael Phelps. Pouco tempo depois de ganhar oito medalhas de ouro nas Olimpíadas de 2008, recorde histórico, Phelps foi flagrado fumando maconha. Ele também conseguiu manter seus contratos publicitários intactos.

De acordo com Marshal Cohen, autor do livro “Por que clientes fazem o que fazem”: “O consumidor tem uma memória incrivelmente curta e adora histórias de redenção”. É uma história clássica e com grande apelo. A pessoa se entrega à tentação, comete um erro, se redime e é perdoado.

O caso de Brady é diferente dos demais atletas porque, além de ser uma referência esportiva, ele é também um ícone do mundo da moda. Por ser casado com a top brasileira, Brady é figurinha fácil dos tapetes vermelhos. O mundo da moda gosta de histórias de reinvenção e de estrelas moralmente questionáveis. Levando isso em consideração, é possível que o jogador se torne um garoto-propaganda ainda mais interessante para as marcas, ao invés de menos.

Fontes:
NY Times-Assessing Tom Brady’s Stock in the Fashion World

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