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COMÉRCIO EXTERIOR

A perigosa política de subsídios e tarifas de Trump

Donald Trump usa ameaças de tarifas para manter empresas nos EUA. Porém, ele subestima a complexidade de se alterar tarifas

A perigosa política de subsídios e tarifas de Trump
Política de alteração de tarifas pode ser um caro fracasso para os EUA (Foto: Flickr/Gage Skidmore)

O presidente eleito dos EUA, Donald Trump, parece achar que reverter a globalização é algo muito fácil. Esta semana, ele fez a Ford cancelar os planos de construir uma fábrica de US$ 1,6 bilhão para produzir carros pequenos no México e anunciar a criação de 700 novos empregos com a expansão de sua fábrica na cidade de Flat Rock, Michigan.

É a mesma postura adotada por outras empresas, como a de eletrodomésticos Carrier, que em dezembro do ano passado desistiu de abrir uma nova fábrica de fornos no México. Tudo o que Trump precisou para convencer as empresas foram promessas de subsídios e ameaças de aumentos de tarifas.

Trump constantemente afirma que a globalização é um negócio ruim para os EUA. Ele declarou que, em seu governo, pretende taxar produtos importados em 5% ou mais. Para ajudá-lo, ele reuniu conselheiros com experiência no setor metalúrgico, que tem uma vasta história de batalhas comerciais.

Ao lado do presidente eleito estará Robert Lighthizer, cuja carreira é dedicada a proteger empresas metalúrgicas dos EUA da competição estrangeira; Wilbur Ross, que adquiriu empresas do setor deficitárias pouco antes de George W. Bush elevar as tarifas para aço importado; Daniel DiMicco, gestor da Nucor, a maior empresa metalúrgica dos EUA; e Peter Navarro, economista autor do livro “Death by China” (Morte pela China, em tradução livre), que enxerga o declínio do setor metalúrgico americano como um exemplo de como a injusta competição com a China afeta os EUA.

Porém, o setor metalúrgico não é um modelo para a política comercial americana e pode acabar sendo uma armadilha. Trump pode estar simplesmente em busca de manchetes de jornal, mas se sua real intenção for além disso, ele corre o risco de levar os EUA a um fracasso extremamente caro.

Primeiro, porque o líder Câmara de Representantes dos EUA, o republicano Paul Ryan, já alertou que não serão votados aumentos de tarifas. Segundo, porque os planos da Ford não são tão simples quanto parecem. A montadora vai continuar fabricando carros pequenos no México, mas em uma de suas fábricas já existentes no país. Mas, acima de tudo, porque Trump subestima a complexidade de alterar tarifas.

A China realmente afetou os EUA ao subsidiar o setor metalúrgico do país para tornar o aço chinês mais barato e competitivo. Por outro lado, embora tenha afetado o setor metalúrgico do país, a maior oferta de aço não foi tão terrível assim para os EUA. Muitas empresas americanas que usam o produto como matéria-prima foram beneficiadas.

Além disso, a maioria do comércio exterior não segue o padrão do aço. A maior importação dos EUA da China não é aço, mas equipamentos eletrônicos. O governo chinês não taxa a superprodução de iPhones dos EUA que inunda o mercado. Se isso ocorresse geraria desemprego no setor. Em vez disso, os aparelhos são desenvolvidos nos EUA e fabricados na China, usando componentes de outros países asiáticos, europeus e africanos. Para esses produtores, a política de taxação de Trump seria desastrosa.

Fontes:
The Economist-The president-elect’s perilous trade policy

3 Opiniões

  1. Braulio Guimaraes disse:

    Ha momentos que é preciso simplesmente mudar. Sair do lugar comum , de mesmos discursos e Politica morna. O mundo precisa de uma sacudida, nem que seja uma guerra. A maioria das pessoas (classe media trabalhadora) , sempre pagou por tudo. Então na minha opinião toda a quebra de paradigma é bem vinda. São Paulo com Doria, EUA com Trump e muitos outros lugares que ousaram sair da caverna. Vamos assistir otimistas os desdobramentos destas mudanças , de preferencia sem especulações baratas.

  2. Roberto1776 disse:

    De novo a THE ECONOMIST, que se especializou em profecias fúnebres sobre um sujeito que pelo menos vai nos tirar deste sonho maluco da CORREÇÃO POLÍTICA. Parece que ninguém no Brasil lê outra coisa além do NYT, da ECONOMIST e do THE GUARDIAN. Vivemos na era da ESQUERDA REVOLTADA por termos chutado o PT e pelos americanos não aguentaram mais o OBOBAMA e a Hillary Rousseff Clinton. Chega de esquerdistas democratas nos States. Ninguém aguenta mais de dois mandatos esquerdista, nem mesmo o Brasil. Deixem o Temer e o Trump trabalharem.

  3. Anselmo Heidrich disse:

    URRA! ATÉ QUE ENFIM alguém diz o óbvio. Vejo muitos ‘direitistas’ saudarem a vitória de Trump como uma vitória contra o esquerdismo, mas será isso mesmo? Na verdade, muitos desses pouco sabem a respeito de Hillary Clinton que, em que pese seus erros como Secr. Estado tinha uma visão sobre a globalização muito mais positiva que Donald Trump. Embora ela tenha mudado o rumo em sua campanha para se mostrar mais protecionista que seu rival, Bernie Sanders.

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