Início » Economia » Por que a Hungria quer banir a estrela vermelha da Heineken?
POLÊMICA

Por que a Hungria quer banir a estrela vermelha da Heineken?

Projeto de lei do governo húngaro que bane o uso comercial de símbolos totalitários, entre eles a estrela da Heineken, esconde uma disputa comercial com a cervejaria holandesa

Por que a Hungria quer banir a estrela vermelha da Heineken?
Proposta afeta diretamente o ícone usado pela Heineken (Foto: Pixabay)

A estrela vermelha símbolo da cerveja Heineken pode ser banida da Hungria. Esta semana, o governo nacionalista do presidente Víktor Orbán, do partido ultraconservador Fidesz, votará um projeto de lei que proíbe o uso comercial de símbolos considerados totalitários, como a suástica, a foice e o martelo e a estrela vermelha, que desde a Revolução Russa de 1917 é associada ao comunismo.

Segundo o chefe de gabinete de Orbán, Janos Lazar, a estrela “fere a sensibilidade” de húngaros que sofreram com o regime comunista que dominou o país entre 1949 e 1989, portanto é uma “obrigação moral” do governo banir o símbolo.

O projeto de lei vem gerando bastante polêmica no país e foi batizado pela imprensa húngara como Lei Heineken. Críticos acusam o governo de Orbán de interferir no setor privado e regulamentar por impulso.

A proposta, no entanto, esconde uma disputa comercial entre a filial da Heineken na Romênia e uma pequena cervejaria húngara chamada Lixid Project, propriedade húngaros da etnia magiar. Com sede na Transilvânia, lar de muitos húngaros magiares, a empresa produz a cerveja Csiki.

Porém, em fevereiro deste ano, um tribunal romeno decidiu que a fabricante teria de mudar o nome da cerveja por ser muito parecido com a marca vendida pela Heineken no país, a Ciuc. O governo Orbán classificou a sentença como “injusta e anti-húngara” e acusou a cervejaria holandesa de assediar o fabricante húngaro.

Três semanas após a sentença, o governo húngaro anunciou o projeto de lei que pune o uso comercial de símbolos totalitários, sob pena de até dois aos de prisão e multas de até 6,5 milhões de euros (cerca de 22,6 milhões de reais). O governo nega que a proposta seja uma retaliação à Heineken, afirmando tratar-se de uma coincidência.

Diante da proposta, a Heineken romena cedeu e selou um acordo com a Lixid Project para que pequena cervejaria húngara não tenha de mudar o nome de sua cerveja. Parlamentares húngaros celebraram o acordo como uma prova de que David pode derrotar Golias.

A Heineken tem a estrela vermelha como marca desde a sua fundação, em 15 de fevereiro de 1864. O ícone está presente em garrafas, porta-copos, barris, luzes neon e banners. Após o fim da Segunda Guerra Mundial e durante a Guerra Fria, a cervejaria trocou a cor da estrela para branco a fim de evitar uma associação com o comunismo. A estrela recuperou a cor vermelha em 1991, após a dissolução da União Soviética.

Fontes:
El País-Hungria ameaça a estrela vermelha “comunista” da Heineken
Veja-Hungria ameaça banir estrela vermelha da Heineken: ‘comunismo’

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

3 Opiniões

  1. Linda Tibilise disse:

    Aqui em terras tupiniquins também não aguentamos viver uma estrela vermelha, nos traz terríveis lembranças.

  2. Ezequiel Domingues disse:

    O governo húngaro tem tido audácia pra muitas coisas ultimamente como fechar as portas para os refugiados e criticado as posições da UE sobre a soberania dos países na capacidade de decidir o que é melhor para elas.
    Uma coisa interessante sobre a Hungria, é que se trata do primeiro país no mundo a formar um núcleo administrativo para acolher os cristãos perseguidos em países muçulmanos.
    Para bem e para mal, a Hungria está sendo um país ímpar nas novas configurações de governos do mundo.

  3. André Ricardo Cruz Fontes disse:

    A estrela vermelha é no Brasil um dos traços mais caraterísticos da bandeira do glorioso estado do Acre! Resistiu bravamente à sanha insandecida dos militares da ditadura de 1964. Foi usada tardiamente no Brasil como símbolo partidário, já que a bandeira do Acre remonta ao período anterior à sua incorporação ao Estado brasileiro. Uma hipotética lei dessa natureza no Brasil haveria de ter que separar o joio do trigo e considerar a Revolução acreana (acreana e não acriana) como parte integrante da História do Brasil! Portanto, nada de mexer na bandeira do Acre!

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *