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Por que o preço do petróleo voltou a subir?

Preço do barril chegou a US$ 100, em 2014, caiu para US$ 27, em 2016, e este ano chegou a US$ 70. Tal volatilidade tem explicação

Por que o preço do petróleo voltou a subir?
É improvável que o preço do petróleo retorne ao patamar de US$ 100 por barril (Foto: Pixabay)

Em março de 2014, o preço do barril do petróleo Brent, tipo de petróleo cuja cotação serve de referência para o mercado, atingiu os três dígitos, sendo negociado a US$ 100. Dois anos depois, a cotação despencou para US$ 27 por barril. Agora, a cotação voltou a subir e este mês o preço do barril do petróleo Brent chegou a US$ 70.

Tamanha volatilidade impressiona, mas há explicação. A queda observada há dois anos, se deve, em parte, à queda na demanda – com uma grande preocupação em relação à economia da China – e, em parte, à abundante oferta do recurso. Países membros da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep) – que têm o custo de extração em torno de US$ 10 por barril – aumentaram a produção de petróleo.

A Arábia Saudita tinha bons motivos para manter a produção a pleno vapor. Uma vasta oferta seria capaz de minar o crescimento do setor de produção de xisto nos EUA. O xisto é um tipo de rocha que quando aquecida libera óleo e gases ricos em hidrocarbonetos que podem servir de alternativa ao petróleo tradicional. Nos últimos anos, os EUA descobriram grandes reservas de gás de xisto em seu território e aumentaram o investimento no setor. Além disso, para o governo saudita, manter a ampla produção neutralizaria o Irã, seu rival no Oriente Médio, que retornou ao mercado após a suspensão das sanções internacionais.

No entanto, a demanda por petróleo se recuperou rapidamente. A China retomou o crescimento com investimento em crédito e outros incentivos ao consumo. O preço das commodities voltou a subir e a retomada da economia global começou a dar sinais visíveis.

No final de 2016, os países da Opep concordaram em reduzir a produção de petróleo. A medida teve poucos efeitos imediatos, mas ao final do ano passado começou a dar frutos. A demanda superou a oferta e, como consequência, o preço do petróleo voltou a subir. Para alguns analistas, é improvável que o preço do petróleo retorne ao patamar de US$ 100 por barril, já que isso impulsionaria a produção de xisto nos EUA. O barril cotado a US$ 70 consegue manter relativamente controlado este setor americano.

Além disso, para aos países da Opep é inviável manter a produção de petróleo em alta por muito tempo. Tais economias são dependentes do petróleo e manter o preço do barril próximo ao custo da extração exige reformas que normalmente não surtem efeitos rapidamente.

 

Leia mais: Por que a Arábia Saudita quer manter baixo o preço do petróleo
Leia mais: Países fora da Opep concordam em reduzir a produção de petróleo

Fontes:
The Economist-Why the oil price is so high

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2 Opiniões

  1. Laércio disse:

    Para o Brasil não ficar sujeito às cirandas internacionais já deveria ter aproveitado seus diversos potenciais mas não o fez!

    Estados unidos e suas sanções somadas a fome energética chinesa são maestros da macro economia mundial e submetem as nações aos altos e baixos da economia mundial, é uma espécie de cabresto…

    Para o Brasil é humilhante se sujeitar a tais cabrestos porque temos a maior oferta energética do mundo que se chama sol! Depois temos as também não exploradas devidamente: energia das marés, relevo, eólicas, biomassa, etc.

    Tal discrepância ocorre pela negligência de nossas instituições que visam apenas o progresso se suas atividades enquanto assiste o país sendo estuprado por diversos carniceiros que vomitam uma constituição que impede o povo de se organizar e fazer do Brasil uma nação de fato.

  2. Vinicius Samways disse:

    Infelizmente nós, povo brasileiro permitimos que essa política estatizante perdurasse no país, um estado inchado cheios de privilégios, mantido pela iniciativa privada submetida a uma escravidão devido a ignorância desta mostrada nas urnas em todas as eleições.
    O único partido político, o NOVO, que demonstra coerência em seus princípios com a realidade mundial, tem hoje 1% dos votos do eleitorado brasileiro. Temos a solução mas a falta de participação consciente do povo brasileiro na política, nos manterá por muito tempo divididos em governo que mora dentro do castelo e a iniciativa privada, trabalhando e pagando impostos escorchantes para manter a regalia da corte.

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