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Por que os agricultores franceses estão preocupados com a China?

Em 2017, Keqin Hu, um empresário magnata da China, comprou 2.500 hectares de terra em duas regiões produtoras de grãos

Por que os agricultores franceses estão preocupados com a China?
A preocupação dos agricultores não se limita à compra de terras pelos chineses (Foto: PxHere)

Mais de 670 mil pessoas visitaram o Salão Internacional de Agricultura, em Paris, realizado de 25 de fevereiro a 5 de março. O presidente Emmanuel Macron esteve presente na inauguração do salão e percorreu seus diferentes estandes durante um dia inteiro. Macron teve uma recepção hostil em alguns lugares, embora não tão grave como no ano passado, quando um manifestante lhe jogou um ovo no rosto. Antes da inauguração alguns agricultores franceses bloquearam as autoestradas em protesto contra as negociações entre a União Europeia e o Mercosul de importação de carne bovina da América do Sul para o bloco europeu, assim como contra os planos do governo francês de cortar os subsídios para as propriedades agrícolas em dificuldades financeiras. Mas os agricultores franceses também protestam contra a presença crescente da China na região rural do país.

No final da década de 2000, investidores chineses compraram grandes vinhedos na região de Bordeaux, a fim de atender à demanda por bons vinhos no país. No ano passado, Keqin Hu, um empresário magnata chinês, comprou 2.500 hectares de terra em duas regiões produtoras de grãos, uma compra, segundo os agricultores, que se beneficiou de uma isenção da aprovação de compra de terras agrícolas por parte do governo, em casos em que as terras não são adquiridas em sua totalidade.

No entanto, a preocupação dos agricultores não se limita à compra de terras pelos chineses. Essa isenção foi usada antes por investidores britânicos e holandeses, hoje, grandes proprietários de terras na região rural da França. O maior receio refere-se às manobras de Hu para contornar as regras que exigem que os produtores de cereais na França vendam sua produção para comerciantes credenciados pelo Estado, o que dificultaria, em princípio, a exportação direta dos grãos produzidos em suas terras.

Mas Hu fez uma parceria com a Axéréal, a maior cooperativa de grãos da França, para transformar o trigo em farinha, a fim de exportá-lo para a China. Segundo Hu, ele quer apenas atender a um mercado crescente de consumo de baguetes na China.

Em resposta às exigências dos agricultores franceses de mais transparência e fiscalização por parte do governo na aquisição de terras nas regiões rurais, Macron declarou em fevereiro que a França “não permitiria a compra de centenas de hectares de terras por estrangeiros, sem o prévio conhecimento de seus objetivos”. No entanto, apesar das pressões, Macron quer evitar um confronto com o governo chinês. Após sua visita a Pequim em janeiro, em que concluiu as negociações de suspensão da proibição de importação de carne da França que se prolongou por 17 anos, o governo francês retomou as exportações de carne bovina para a China. Com a possível guerra comercial entre os EUA e a China, Macron tem outras prioridades além de atender às reivindicações dos agricultores franceses.

Fontes:
The Economist-Why France’s farmers worry about China

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