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Cartão de Crédito

Por que os EUA não utilizam cartões com chip?

As empresas de cartão de crédito aumentarão a pressão sobre os varejistas no próximo mês de Outubro

Por que os EUA não utilizam cartões com chip?
As empresas de cartão de crédito aumentarão a pressão sobre os varejistas no próximo mês de Outubro (Reprodução/Internet)

Na semana passada, Barack Obama emitiu uma ordem executiva exigindo que o governo federal emitisse novos cartões de crédito e débito com sistema de “chip e PIN”. A administração descreve a ordem como parte de um esforço para ajudar a “orientar o mercado para sistemas de pagamento mais seguros.”

É isso mesmo: como a maioria dos cartões de crédito dos Estados Unidos, os cartões que o governo envia para milhões de pessoas para pagamentos de transferências sociais, pensões de funcionários públicos e benefícios dos veteranos utilizam a antiquada tecnologia de tarjas magnéticas e assinaturas. Leitores europeus, que estão acostumados a usar PINs com seus cartões de crédito habilitados para microchips, ficarão, sem dúvida, horrorizados. Por que levou tanto tempo para os Estados Unidos adotassem as medidas antifraude que os consumidores europeus têm usado por anos?

Cartões de crédito com Chip-e-PIN são projetados para reduzir a fraude. Eles não acabar com ela, é claro. Mas contribuem – a adoção de chip e PIN na Grã-Bretanha reduziu drasticamente a incidência de alguns tipos de fraude de cartão. Os Estados Unidos são o único país rico que ainda conta com tarjas magnéticas e assinaturas para a maioria das transações de cartões de crédito e também é o único em que o mercado de cartões de crédito falsificados ainda está crescendo consistentemente.

Os varejistas, bancos e emissores de cartões perderam US$ 5,3 bilhões com fraudes de cartão de crédito nos Estados Unidos em 2012 – cerca de metade do total mundial. Eis o problema: cartões atualizados (existem mais de 1 bilhão em circulação na América) são caros.  Os novos leitores de cartão são ainda mais caros: a atualização de todos os leitores na América custaria centenas de milhões de dólares.

Mas a relutância dos Estados Unidos a adotar a nova tecnologia é mais do que apenas os custos iniciais. Afinal de contas, as empresas europeias enfrentam os mesmos obstáculos. Há duas razões principais para a separação. O primeiro é tecnológico. Durante a década de 1990 as empresas de cartão de crédito americanas ficaram muito melhor em detectar compras potencialmente fraudulentas e sustá-las no ponto de venda. Seus concorrentes europeus não conseguiram se atualizar ao mesmo ritmo. Isso significava que a Europa tinha um incentivo desproporcional para mudar para o sistema de chip e PIN.

A segunda diferença é reguladora. Uma vez que as empresas europeias de cartão de crédito são responsáveis por pagar a maior parte dos custos de fraude, elas têm um incentivo significativo para reduzi-la. Empresas de cartão de crédito americanas, que operam sob normas mais flexíveis, têm sido capazes de passar a maior parte do custo da fraude para os varejistas e até para os consumidores e, portanto, tiveram pouco incentivo para gastar o dinheiro para reduzir os custos de fraude.

Uma vez que os varejistas são responsáveis por uma boa parte dos custos de fraude nos Estados Unidos, eles já estão liderando o caminho para fazer a mudança para o sistema de chips-e-PIN. Home Depot, Target, Walgreens e Walmart  — quatro das maiores cadeias de lojas americanas — já fizeram a alteração, gastando grande quantia de dinheiro em novos leitores de cartão compatíveis ao sistema de chip e PIN

As empresas de cartão de crédito aumentarão a pressão sobre os varejistas no próximo mês de Outubro, quando começarem a exigir que a parte com a tecnologia menos sofisticada cubra os custos de transações fraudulentas. Como diz o (provavelmente apócrifo) aforismo de Winston Churchill, você sempre poderá contar com os americanos para fazer a coisa certa, depois que eles tiverem tentado de tudo. Agora você só tem que bolar um bom PIN.

 

Fontes:
The Economist-Why America has been slow to adopt modern credit-card technology

2 Opiniões

  1. Iva disse:

    Acho mais seguro – para mim – o cartão com assinatura, pois assim sei que apenas eu posso usá-lo, se a loja fizer a coisa certa: exigir documento de identificação. O cartão de débito ok, Qualquer hacker mais habilidoso consegue descobrir a senha de um cartão de crédito e ou cloná-lo.

  2. Manfred Richter disse:

    “Eles não acabar com ela, é claro”.

    Uhn???? Oi, votou na DIlma? rs

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